(Foto: Daniel Pinto)
Quem mora e conhece Belém já está acostumado com as chuvas do “inverno” amazônico. Mas ninguém se acostuma com os transtornos gerados quando as chuvas são mais fortes. Congestionamentos por toda a cidade e os alagamentos são os problemas mais comuns e tiram o sossego e a paciência de moradores e motoristas.
Quem precisou sair de casa ontem à tarde e mesmo quem já estava nas ruas teve de exercitar bastante a paciência. O que mais se via pelas ruas principais do Centro de Belém eram congestionamentos. Na avenida Nazaré, além da chuva, semáforos apagados contribuíam ainda mais para deixar o trânsito ainda mais complicado.
Na avenida Presidente Vargas a situação não era diferente. Para percorrer os pouco mais de 1 quilômetro da avenida, os motoristas estavam levando quase 20 minutos para concluir o trajeto. E o problema também atingia ruas de outros bairros como Batista Campos e São Brás. “Não tem jeito. É sempre isso. Basta chover um pouco e fica desse jeito. Tem de ter paciência e aguentar esse inferno. O pior é que a gente não vê nem guarda de trânsito para ajudar nessas horas”, reclamou o taxista Naldo Ramalho, de 44 anos.
Moradora da rua Caripunas, a dona de casa Edna Santos, 55 anos, precisou sair para apanhar as duas netas na escola e teve de sair de casa por baixo de chuva e com a lama até o meio da perna. “Moro aqui desde que nasci, há 55 anos, e sempre foi assim. Tenho de sair de bermuda para apanhar minhas netas. No ano passado fiquei com problemas de dor nas costas de tanto ter de carregá-las para não pisarem na lama. Fizeram a obra, mas nada mudou”, lamentava a moradora.
A obra que Edna Santos se referia, eram as obras de macrodrenagem do canal da travessa Doutor Moraes. Mesmo concluída, parte da área ainda alaga e causa transtornos aos moradores e prejuízos aos comerciantes. Manoel Paulista é proprietário de um restaurante e mora há mais de 20 anos no local. Na tarde de ontem a “sobremesa” para os clientes e os funcionários foi bastante indigesta.
“Quando começou a chover, estavam todos almoçando e começou a alagar tudo. Tivemos de parar com tudo e recolher as coisas. Não dá para trabalhar, mas tenho de pagar aluguel, pagar funcionários e isso não muda. Fizeram a obra, mas não fizeram bueiros para escorrer a água”, observou Paulista.
Na avenida Fernando Guilhon, no bairro da Cremação, a situação não era diferente. O canal da Doutor Moraes transbordou e, como sempre, trouxe problemas para os moradores.
Morador da área, o vendedor Carlos Costa reclamou do costumeiro alagamento do local. “Olha, passaram uns quatro anos fazendo essa obra. Todo mundo esperava que isso ia acabar, mas está aí, tudo cheio, como sempre. Acho que só Deus para resolver essa situação”, brincou o vendedor.
PREVISÃO
De acordo com o Inmet - Instituto Nacional de Meteorologia, a previsão do tempo para este fim de semana em Belém não deve se alterar. A partir de hoje até domingo, a previsão é de dias nublados a encobertos, com pancadas de chuva e temperatura variando de 32º na máxima e 23º na mínima. Só não se previu ainda até quando os moradores da cidade terão de amargar com os transtornos e prejuízos que até o momento ninguém consegue resolver. (Diário do Pará)
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