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(Foto: Daniel Pinto)
O carnaval no bairro da Cidade Velha está levando milhares de pessoas às ruas. O bloco “Fofó do Elói” lotou a Praça do Carmo no último domingo. Dalva Maria estava vendendo máscaras, travessas, perucas e tudo mais que os brincantes precisavam para entrar no clima. Tímida, porque era sua primeira vez naquela festa, reclamou da venda. “Ainda não compraram nada”, conta. Talvez porque muitos já vinham de casa “montados”.
Roberto Monteiro levou a filha vestida de princesa, pronta para pular ao som das marchinhas de carnaval. “Eu vinha quando era pequeno e agora trago a minha filha, todo mundo caracterizado”, diz ele, usando um gigantesco chapéu mexicano.
A animação não acaba, só mantém o ritmo. Dona Dalva ainda não estava ganhando dinheiro, mas do outro lado da praça, Lúcia Ribeiro não parava de vender. Caruru, vatapá, tacacá, maniçoba. “Vim ano passado, gostei e voltei. Vendo muito aqui”, afirma. O comércio durante a festa é uma atração à parte. Além dos adereços, todo tipo de bebida. Um ambulante vestido de garçom passeava com uma bandeja pronta para montar o drink do cliente. Uísque e energético. Dispostas em um banco, dezenas de taças de vidro para quem dispensava os descartáveis. Todas coloridas. Todo mundo comprava. Everton Santos percorreu toda a praça com chapéus, perucas e travessas. “Tô vendendo muito”, conta. Jussara Santiago viu nas mãos dele uma peruca loura e não hesitou: “Eu quero!”. Ela é paulista e disse que só veio para Belém para conhecer o carnaval de rua. “É muito bom, estou adorando. Me contaram que era divertido e eu vim conferir”, disse.
E para provar que o carnaval não tem idade, estavam lá se divertindo também Celeste Gomes, 64 anos, e Esmina Almeida, 66. “Estamos na melhor idade e viemos curtir a melhor festa do ano”, conta dona Esmina. A experiência de dona Celeste manda um recado aos organizadores: “Vamos unir os blocos e fazer um festão, vai ser ainda melhor”, sugere.
Perto de lá, em frente ao Palácio Antônio Lemos, a festa não era menor. O bloco “Jambu do Kaveira” também garantiu a festa de outra multidão. Enquanto isso, em cima de altíssimos saltos dourados, a voz de Elói Iglesias transformava todas as melodias em marchas carnavalescas. Dono do microfone a tarde inteira, ele alertou os brincantes. “Gente, por favor. Se quiser ir ao banheiro, vá ao banheiro. Não vamos dar motivo para acabarem com o nosso carnaval”, pede. Agentes da Polícia Militar e da Companhia de Trânsito de Belém estavam no bairro garantindo a segurança e a ordem.
A ordem é só o que querem os moradores da Cidade Velha. A festa acarreta alguns problemas para eles. Alguns brincantes urinam na portas das casas e jogam garrafas, causando transtornos a quem mora por lá. Dona Dulce mora em frente a Praça do Carmo há anos e não se opõe às brincadeiras, mas pede respeito. “De uns três anos para cá, começamos a ter problemas. Agora temos um acordo, só peço educação do povo e fiscalização do poder público”, ressalta. (Diário do Pará)
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