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(Foto: Reprodução Diário do Pará)
Em apenas três meses de fiscalização intensificada nas ruas do centro de Belém, a Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel) registrou um aumento de 15% no número de multas aplicadas. A maior parte delas, por estacionamento em local proibido. Um cálculo rápido mostra que apenas as taxas de remoção e diária do veículo no parque da companhia podem ter rendido cerca de R$ 14.600 por dia.
Segundo Isaías Reis, vice-diretor de trânsito da CTBel, a média de apreensões varia de 85 a 100 veículos por dia, somente na área central da capital. “Essa operação gerou o aumento de 15% nas multas aplicadas, desde outubro, quando adquirimos mais viaturas. Ainda assim não é um número real, pois se tivéssemos mais viaturas e espaço, com certeza teríamos mais veículos apreendidos”, revela Isaías.
Mas as multas parecem não inibir os motoristas. “Esse número acaba virando uma constante, já que, quando intensificamos a fiscalização num ponto, os motoristas tendem a migrar para outro, mas não deixam de praticar a infração”, diz o vice-diretor.
Além de valores que vão de R$ 53 a R$ 127, o transtorno de ter o carro guinchado também rende quatro pontos a menos na carteira do motorista. Apesar de poder entrar com recurso de defesa, o proprietário terá inevitavelmente que pagar os R$ 96 da remoção e mais R$ 50 por dia que o carro passar no curral. “É importante saber que só quem pode fazer a retirada do veículo é o próprio dono, ou procurador. Esse é um dos erros comuns que as pessoas cometem, e acabam pagando a mais por isso”, ressalta Reis.
PREJUÍZO GERAL
Sete minutos foram suficientes para que o estudante David Cardoso Neto, 20, passasse pelo sufoco de estacionar o carro e, na volta, não encontrá-lo no mesmo lugar. “Deixei o carro na frente do shopping e fui à farmácia, quando voltei não estava lá. Foi uma dor de cabeça tremenda, pois não consegui retirar o carro no mesmo dia, já que ele não está no meu nome”, relembra o rapaz.
O vice-diretor da CTBel explica que em locais mais movimentados, como shoppings, lojas e escolas, é comum que haja fiscalização mais intensa, e adverte: “Nesses pontos, o motorista deve procurar a sinalização autorizando que ele pare ou estacione. Temos enfrentado problemas por conta de pessoas que acabam retirando a sinalização para ganhar algum dinheiro com o estacionamento indevido” diz Reis.
Mas não são só os motoristas e proprietários que acabam sofrendo duras consequências pelas infrações cometidas. Com um andar mais cauteloso e acompanhada de uma muleta, Benedita Tavares, 82, se diz vítima diária da falta de respeito. “Às vezes você precisa andar pelo meio da rua, porque a pessoa acha de estacionar em cima da calçada. É perigoso, eu mesma já caí porque a calçada estava ocupada e eu não vi o bueiro”.
Para reduzir as infrações, Isaías Reis adianta que a CTBel pretende investir em campanhas de reeducação, com foco nas crianças. “Nós acreditamos que a mudança pode partir dos pequenos, pois a maioria dos motoristas não dá muita atenção às campanhas feitas no trânsito. Então, são os filhos que vão levar a informação aos pais”, diz Isaías. Além desta, outras medidas, como renovação de placas e sinalizações, diminuição de estacionamentos e mudança das linhas de ônibus, também estão nos planos da companhia para 2012.
SATURAÇÃO
“Com as facilidades oferecidas para a compra de veículos, o inchaço das ruas é visível. A consequência disso é a falta de espaço para circular e, consequentemente, parar”, avalia o vice-diretor.
Com o prejuízo de um trânsito cada vez mais lento, a previsão, segundo Isaías, é que daqui a três ou quatro anos a cidade adote o sistema de rodízio de placas. “O condutor paraense ainda tem o hábito de usar o carro para tudo. Quem perde com isso é ele mesmo, que acaba passando mais horas atrás do volante para percorrer trajetos que poderiam ser feitos a pé”. (Diário do Pará)
AS INFRAÇÕES:ONDE HÁ MAIS REGISTROS
Avenida Nazaré
Avenida Alcindo Cacela
Rua dos Mundurucus
Rua Gama Abreu
Travessa Nove de Janeiro
AS MULTAS
Estacionar sobre calçada: R$127
Estacionar em local com placa de proibido para e estacionar: R$ 127
Estacionar o veículo em locais e horários proibidos especificamente pela sinalização: R$64
Parar o veículo nas esquinas e a menos de cinco metros do bordo do alinhamento da via transversal: R$53
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