Entra ano, sai ano e alguns itens não deixam a lista de metas a cumprir. Se alimentar melhor, fazer exercícios físicos, fugir do estresse e, principalmente, organizar as finanças, que já começam prejudicadas com os gastos do Natal do ano anterior.
“A gente acaba se empolgando mesmo. Conta com o 13º salário como se desse pra todos os presentes, mas gasta muito mais. No final me assustei com as faturas do cartão de crédito e o que elas vão levar do meu próximo salário. Eu tinha prometido fazer diferente, mas comecei 2012 do mesmo jeito: endividado”, conta o pedagogo Flávio Lobo.
Ele extrapolou o limite estipulado ao decidir viajar no réveillon. “Foi uma loucura e eu sabia que ia me enrolar todo, mas achei que valia a pena. Uma semana de diversão que vai ser paga com muitas noites em casa, economizando”, brinca.
Com as dívidas já feitas e novos pagamentos a efetuar, a solução é eliminar, o quanto antes, os débitos e não acumular mais contas. “O principal problema do início do ano é que as pessoas não organizam débitos passados com novos compromissos, como o IPTU, educação (matrícula e material escolar) e acabam atrasando as contas e, assim, fazendo uma bola de neve de dívidas”, explica o analista financeiro Carlos Sá.
Segundo pesquisa do Banco Central, feita em novembro de 2011, os brasileiros têm, na média, uma dívida que equivale a 41,3% do salário. Esse valor cresce desde 2006, quando o total dos empréstimos correspondia a 25% da renda.
Parte disso, explica o economista, se deve à desburocratização e aumento do acesso ao crédito. “Pessoas que haviam comprados bens caros passaram a assumir parcelas de 60, 80 meses, só porque essa possibilidade lhe foi dada. Agora precisamos instruir as pessoas que mesmo podendo, elas não devem se endividar”.
ORGANIZAÇÃO
Para começar o processo de organização financeira, ele diz que é preciso, antes de tudo, quitar as dívidas mais antigas, que geram juros altos. “O ideal é pagar a tudo o que for possível à vista, planejar os gastos e reservar pelo menos de 20% a 25% do salário todo mês para a readequação das contas”. Pedir empréstimos só em último caso, frisa. “A melhor saída é manter um cronograma mensal. Quem não consegue se organizar durante todo o ano inevitavelmente começará o ano seguinte endividado. Mas quem planeja sempre passa o período sem grandes dificuldades”, diz Carlos.
Após quitar a dívida e voltar a respirar aliviado, o consumidor não pode, contudo, restituir aos mesmos hábitos. Poupe, economize, guarde. Independente do verbo escolhido, o importante é começar 2012 com organização.
PARA SE VER LIVRE DAS DÍVIDAS
-Pratique o autoconhecimento: admita os problemas financeiros, some todas as dívidas e pense em como, de mês em mês, você pode eliminá-las;
-Aceite a mudança: corte gastos, compre somente o essencial e guarde parte da renda numa poupança;
-Seja proativo: se somente a economia não bastar, tente novas fontes de renda como horas extras, trabalho freelancer ou venda peças que não sejam mais necessárias;
-Negocie: Tente renegociar o valor prazos e taxas da dívida.
-Dê início ao pagamento: entradas de dinheiro extra, como restituição do imposto de renda e abono de férias devem ser usadas para abater a dívida.
Fonte: Carlos Sá, analista financeiro
(Diário do Pará)
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