Jesus foi levado para o altar após badaladas do sino da Catedral (Foto: Keilon Feio)
Além das luzes amareladas que iluminam cotidianamente as pinturas e quadros da Catedral Metropolitana de Belém, na noite do último dia 24 de dezembro, as luzes trêmulas dos piscas-piscas natalinos ajudavam a compor o cenário da igreja. Conhecida popularmente como ‘Missa do Galo’, a celebração presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira, lembrou e homenageou o nascimento de Jesus Cristo na véspera do dia que marca sua vinda à terra, o Natal.
Cerca de 30 minutos antes do início, previsto para as 21h, os bancos da igreja já estavam completamente lotados. Sentado em um dos bancos mais próximos ao altar, o aposentado Édson Chagas esperava pelo momento em que poderia acompanhar a apresentação da imagem do menino Jesus. “Todos ficamos emocionados quando a imagem do menino Jesus entra porque é como se estivéssemos presenciando o nascimento dele, o corpo presente dele”, explicou.
Concentrado no folheto que contem a liturgia da missa que costuma durar mais de uma hora, ele se preparava para a missa esperada durante o ano todo. “Eu vou à missa todos os dias, mas a missa do Natal é a mais importante do ano”.
Após a badalada dos sinos, sob o som imponente do órgão da igreja e o cântico do coral que anunciava a ‘noite de paz’, a imagem foi levada ao altar pelas mãos do vigário episcopal da região Santana e da Catedral, José Gonçalo. Segundo ele, a imagem do menino Jesus na missa representa a vinda dele à terra anos atrás. “O menino é colocado pela primeira vez como alimento no altar. É a apresentação de Jesus como carne e sangue”.
Segundo ele, essa é a ideia que compõe a tradição da ceia natalina. “A ceia, para o catolicismo, é a missa, é a eucaristia. Após a apresentação do menino Jesus, ele é levado para o presépio que é o retrato do nascimento instituído por São Francisco em 1272”.
Cumprindo a tradição, na véspera do natal, a ceia e a festa que reuniria os familiares de Rita Carvalho estava preparada horas antes da meia noite. Mas, antes disso, a médica veterinária fez questão de comparecer à missa do galo. “Desde pequena eu venho com a minha família para celebrar o nascimento de Cristo”, lembra. “Para nós, é a vinda do filho de Deus que veio para salvar a todos”.
O comparecimento de Rita às missas celebradas na Catedral de Belém é constante, mas, para ela, a missa do Natal é diferente de todas as outras. “É muito bela. Eu venho sempre, mas no Natal a missa fica com um ar diferente”.
De mãos dadas com o marido na companhia da pequena Amanda, de apenas três meses, a administradora Girley Aleixo participou da celebração com o sentimento de renovação. No primeiro Natal da filha, ela fez questão de apresentá-la a missa que comemora o sentido maior da data. “O Natal é o nascimento de Jesus e representa a união da família, é renovação. E assistir à missa é buscar essa renovação”.
“O Natal é para celebrar que o Filho Eterno veio participar dessa humanidade”, lembrou Dom Alberto Taveira. “Nós celebramos esse amor que Deus tem por nós. O fato de Deus se tornar um de nós através de seu Filho é a grande razão de alegria”.
(Diário do Pará)
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