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O túmulo da “mulher do táxi” foi um dos mais visitados ontem (Foto: Alex Ribeiro)
A fumaça que subia sob o amontoado de pessoas que rezavam em frente a um dos túmulos na entrada do cemitério de Santa Izabel era o sinal da grande quantidade de velas acesas. No chão, a cera criava um “tapete” branco que já impedia a aproximação das pessoas que faziam questão de ficar ali. Em cima do túmulo de mármore preto, a grande quantidade de flores depositadas impedia que se identificasse o nome da pessoa enterrada no local. Mas não era preciso ler. “Esse é o Dr. Camilo Salgado, um grande médico que o Pará teve”, explicava a aposentada Maria Mendes.
“O que os remédios não fazem, a intercessão dele cura”. É com essa frase que ela explica a dedicação ao médico. “Uma mulher disse que encontrou um médico todo vestido de branco andando pelos arredores do cemitério e ele deu pra ela um papel. Era uma receita. Depois que ela fez o que estava escrito, ficou boa”. As graças atribuídas ao médico também são conhecidas pela aposentada Nazaré Corrêa, que visita a sepultura várias vezes ao ano. “Eu tenho recebido muitas graças. Toda primeira segunda-feira do mês eu venho acender uma vela para ele”. Aos 77 anos, os pedidos de Nazaré se restringem aos problemas de saúde.
Motivada pelas homenagens que foi prestar aos parentes enterrados no cemitério, a funcionária pública Arlinda Abrunhosa aproveitou para acender uma vela ao médico. “Ele é um médico muito bom que ajudou e ajuda muito as pessoas”.
Muito presente no imaginário paraense, o túmulo da jovem conhecida como “mulher do táxi” também foi local de homenagens. Mesmo os que desconheciam a identidade da mulher estampada no topo do túmulo, a reconheciam de outra forma. “É a mulher do táxi”, repetia a dona de casa Regina Gomes. “Ela pegava um táxi e mandava cobrar, mas quando o taxista mostrava a foto para a família, eles diziam que ela já tinha falecido”.
MILAGRES
Apesar de ser conhecida pelo susto causado aos taxistas que afirmam ter feito uma “corrida” para a moça, muitos acreditam que ela também concede milagres. “Dizem que ela tá fazendo uns milagres, então, eu vim pedir”, explica Regina, ao acender uma vela na chama das outras já depositadas no túmulo.
Velas e flores também enfeitavam outro túmulo, localizado, desta vez, no cemitério do Tapanã. Além dos utensílios típicos de homenagens aos mortos, também enfeitavam a sepultura de Dienny, brinquedos e bonecas ainda nas caixas. “Era uma criança que foi esquartejada pelo pai há muitos anos. Ficou conhecido como o crime da mala”, explicava a aposentada Dionise Costa.
Ela acredita nos milagres atribuídos à criança. “Tem pessoas que têm muitas graças alcançadas por ela”, afirma. O policial militar Max Ramos conheceu a história da criança através de sua avó, já falecida. Após visitar a parente, ele também se preocupou em rezar pela menina. “Eu não era nem nascido quando aconteceu. Mas as pessoas conseguem muitas graças com ela”.
Já o comprador Adilson Oliveira pouco conhecia da história por trás da sepultura enfeitada. Ainda assim, não deixou de pedir graças. “Quando você pede alguma coisa pra ela, você alcança”, acredita.
(Diário do Pará)
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