Cuidados com os botijões devem ir da compra ao manuseio (Foto: Thiago Araújo)
Na casa da relações públicas Glenda Navarro, 30, botijão velho e enferrujado nem da porta passa. “Sempre que vem assim, nós recusamos. E quando a gente viaja, sempre se fecha a chave do gás”, diz. A atitude da consumidora é a mais recomendada e pode evitar acidentes como a explosão da última quinta-feira (13), em um restaurante no Rio de Janeiro, possivelmente provocado por um vazamento de gás.
O descuido com questões básicas de segurança é apontado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Pará como um dos principais responsáveis pelos acidentes envolvendo botijões. Segundo a corporação, de janeiro a dezembro de 2010 foram registradas 143 ocorrências de vazamento em Belém, sendo 13 com chama e 130 sem chama. “De primeiro de janeiro desse ano a 30 de junho, foram 54”, afirma o tenente-coronel Carlos Reis.
Mas a atenção não deve se limitar à estética dos botijões. Segundo Reis, o ambiente em que o produto ficará deve apresentar condições adequadas de armazenamento. “A cozinha, que é o principal local, tem que ser arejada, ventilada, com portas e janelas. É inadmissível um local fechado porque com o vazamento é fácil do ambiente ficar gasado e qualquer fagulha pode causar uma explosão”, diz. “Recomendamos também a compra em locais credenciados pela Agência Nacional de Petróleo e que se evite colocar a mangueira perto do fogo, do calor, pois isso pode causar o derretimento e o próprio vazamento”.
Entre as orientações, há ainda o uso de mangueiras dentro do prazo de validade e com as especificações corretas. “Tem que ser aquela transparente. Aquelas opacas não servem”, alerta Reis. Até a forma de colocação do regulador de pressão, também chamado de registro, requer cuidado. “Não se recomenda que você bata com qualquer material. Tem que ser com a mão mesmo, enroscando na abertura”.
Essas e outras regras a tacacazeira Júlia Freitas, de 45 anos, conhece em detalhes. Em casa ou no trabalho, ela obedece aos critérios de segurança. “Passo esponja com sabão na boca (do botijão) pra ver se tá vazando gás, se estiver borbulhando, é porque tá vazando”, ensina.
Na barraca de Júlia, na avenida Nazaré, o gás fica na calçada. Lugar arejado. Assim, quase não existe a possibilidade de explosão por vazamento. Nem por isso os cuidados precisam diminuir. “O que explode não é o botijão e sim o ambiente gasado. Antes de ligar o fogão, deve-se acender primeiro o fósforo e depois a boca do fogão. Nesse intervalo o gás tá vazando e quando você voltar, a chama pode vir em sua direção e com maior intensidade”, explica Reis. (Diário do Pará)
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