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Deputados e bispo de Bragança, dom Luiz Ferrando, ouviram seis pessoas (Foto: José Clemente Schwartz )
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura o tráfico humano no Pará começou ontem suas investigações por Bragança, numa incursão que se estende até hoje. Depois de Bragança, a CPI realiza sessões no Marajó, em Marabá e em algum município do oeste do Pará.
Apesar da indisposição dos depoentes em admitir acusações comprovadas contra eles, o vice-presidente da CPI, deputado Celso Sabino, avalia que foi possível desvendar muito além do inquérito policial. “Pegamos a ponta do novelo. Agora, além das vítimas e agenciadores, também serão cobrados os chamados ‘patrões’. Os empresários que pagavam essas meninas serão punidos”, adiantou o deputado.
Os seis depoentes de ontem negaram qualquer envolvimento com o agenciamento de prostituição de adolescentes. Eles foram convocados a prestar esclarecimento por estarem arrolados num inquérito policial, iniciado em 2006, que investiga uma rede de prostituição atuante em Bragança e que também promove o tráfico de mulheres para Macapá e para o exterior. Alguns deles foram presos por ocasião da instauração do inquérito.
O primeiro a prestar depoimento foi Robson Nonato Nunes, o ‘Pororoca’, presidiário condenado a 14 anos de detenção. Ele chegou algemado e escoltado por dois agentes prisionais e revelou que agenciava garotas principalmente em festas, onde elas encontravam com os clientes para fazer os programas. O agenciador também confessou que muitas das meninas que faziam parte de seu negócio eram prostituídas com o consentimento dos pais. “Elas ajudavam em casa com o dinheiro que ganhavam”, disse, mas declarou ter dor na consciência pelo que fazia. “Quando eu chegava em casa e via meu filho criança dormindo, sentia uma grande angústia”, completou. O agenciador contou ainda que a média do preço cobrado pelas garotas variava entre R$ 70 a R$ 100, dos quais elas repassavam para ele de R$ 20 a R$ 30 e encerrou seu depoimento afirmando que muita gente envolvida não foi chamada sequer para prestar algum depoimento. Leia mais no DIário do Pará.
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