Pelos corredores da UFPA, avisos de que os servidores já estão parados (Foto: Adauto Rodrigues)
“Um semestre que começa quase no fim do mês. E para completar ainda tem o indicativo de greve. Onde isso vai parar?”, indagou a estudante de jornalismo Caroline Fonseca, 23 anos. Ela, que já está cursando o terceiro semestre na Universidade Federal do Pará (UFPA), diz que já inicia o período letivo desestimulada por conta da possível suspensão das aulas.
Ontem, no primeiro dia de aula do segundo semestre de 2011, a movimentação de estudantes era muito grande pelos corredores da universidade. Mas, ainda assim, nem todos os cursos estavam tendo aula. “Os professores alegam que já estão em alerta por causa da greve e por isso não teremos aula direito nessa primeira semana até que seja decidido algo sobre a paralisação”, comentou o estudante de engenharia civil, Fernando Reis.
O sentimento de que os estudos serão prejudicados por causa de uma possível greve dos professores era constante nos estudantes. “Isso atrapalha e muito a nossa vida acadêmica. A nossa carga horária já não é cumprida de forma correta, pois temos que correr contra o tempo para conseguir ver todo o conteúdo. Com a paralisação das aulas, fica pior ainda”, desabafou o estudante de administração Jeferson Souza, 20 anos. Ele ainda comenta que, por conta dessas paralisações, os conteúdos são ministrados de forma rápida e o aprendizado é mínimo.
Até mesmo os que já estão prestes a se formar ficam preocupados. Esse é o caso de Ronise Arrais, 24 anos, que está no último semestre de geografia. “O meu trabalho de conclusão de curso não será prejudicado, mas ainda tenho três matérias para completar a grade curricular e essas, sim, podem atrapalhar a minha vida”. Ela conta que uma das suas professoras já anunciou, em sala, que quando a greve for deflagrada irá aderir e as aulas serão suspensas. “Ficamos de mãos atadas e sem saber para quem recorrer”.
A greve dos servidores das universidades federais, deflagrada em março, continua prejudicando os alunos. A estudante de matemática Patrícia Miranda, 20 anos, disse que alguns setores de fundamental importância continuam funcionando de forma precária. “No primeiro semestre precisávamos estudar. O professor pedia um livro e, quando chegávamos à biblioteca, ela estava fechada porque não tinha nenhum servidor que pudesse nos atender”.
Os professores da UFPA estão com um indicativo de greve por causa de reajuste salarial que está sendo pedido ao governo federal. Ninguém da Associação dos Docentes da UFPA (Adufpa) aceitou conversar com a equipe do DIÁRIO. Já a universidade esclareceu, em nota, que há apenas um indicativo de greve nacional por uma decisão do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes). A UFPA explica que a adesão dos professores locais será decidida em uma assembleia geral que ainda não tem data para acontecer. (Diário do Pará)
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