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Na Base Aérea, em Belém, muitos acenos e lágrimas na hora da partida (Foto: Everaldo Nascimento)
Acenos demorados, lágrimas, palavras de apoio e a certeza de estar fazendo a coisa certa. Foi tomado por esses gestos e sentimentos que Fanuel Salazar partiu na tarde de ontem para uma estada de seis meses no Haiti, país considerado o mais pobre da América Latina. O militar, que compõe o segundo contingente do Exército paraense encaminhado para integrar a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, não conseguiu conter a emoção na hora da despedida, mas, acima de tudo, se dizia certo da viagem. “Estamos preparados e entendemos a missão”.
Assim como ele, outros 93 militares de Belém e 57 de Tucuruí tiveram que se separar da família para ajudar na recuperação do país que foi devastado por um terremoto em janeiro de 2010. Apesar da emoção e da saudade que tomou conta de todos na despedida, sorrisos dividiam espaço com as lágrimas em muitos rostos. “Com Deus nós vamos e com Deus eles ficam”, resumiu Fanuel que, minutos antes de embarcar no avião estacionado na pista da Base Aérea Brasileira, sacudia o braço no ar para cumprimentar mais uma vez os parentes.
Antes de partir, os militares se equipavam com o que os acompanharia por toda a missão. Além da mochila, lanches, armamento e munições, a bagagem do militar Joaquim Maciel Miranda também tinha um violão, estratégia para driblar a saudade de casa. “Ele vai para distrair”.
Movido pelo sentimento de solidariedade, ele tentava não pensar nas possíveis dificuldades que pode encontrar.
“Estou indo em primeiro lugar para ajudar as pessoas”, frisou. “Vou manter contato sempre com a família e contar com a convivência dos companheiros”.
Em meio a eles, está a sargento Ana Cláudia Ramalho, uma das duas mulheres que compõem a tropa. “Eu vou para servir a minha nação”. Apesar de se manter longe dos familiares e amigos, ela afirma que a decisão não foi difícil. “Tive apoio total”.
Recuados à margem da pista, mães, pais, irmãos, esposas, filhos e amigos assistiam à decolagem do avião que levou a tropa para o Haiti. O nervosismo de Cristina de Abreu era visível pela forma como apertava a toalhinha que levou para enxugar as lágrimas. Com os olhos fixos na aeronave, o aceno de despedida ao filho Marco Rogério se estendeu até o último minuto do avião em terra. As lágrimas vinham fáceis. “É difícil. Mas estou muito orgulhosa. É o que ele mais queria”.
Para o general Carlos Roberto Peixoto, comandante da 8ª região militar e da 8ª divisão de exército, os militares não voltarão iguais da missão. “É um ganho pessoal para eles enquanto cidadãos”.
Ao todo, 150 paraenses seguiram para o Haiti para integrar a missão do qual o Brasil já participa desde 2004.
Nesta missão, são 845 militares brasileiros, que farão um revezamento com os militares que já estão no Haiti. Eles se prepararam durante seis meses para a viagem. (Diário do Pará)
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