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Estudo mostra que Belém perde o seu verde gradualmente (Foto: Thiago Araújo)
Belém vem perdendo, de forma incessante e rápida, o seu verde urbano”. Esta é a conclusão a que chegaram a professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Violeta Refkalefsky Loureiro, Doutora em Sociologia do Desenvolvimento, e o Mestre em Geografia, especialista em geografia urbana, Estêvão José da Silva Barbosa, em estudo publicado no periódico do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da UFPA “Novos Cadernos NAEA”.
A especulação urbana e ocupação desordenada do solo estão acabando justamente com o maior símbolo da cidade: as mangueiras. Tombadas pelo Patrimônio como bem de uso comum e preservação permanente, elas são as espécies que sofrem os maiores danos.
E o que é pior. Ao contrário de outras capitais, onde a iniciativa privada é a maior culpada pelos danos ambientais, “em Belém, as ações e omissões do poder público em relação à cidade, respondem mais gravemente que o setor privado, pela deterioração da paisagem urbana, seja no que concerne ao verde, seja no que diz respeito às águas internas da cidade”, apontam os professores.
Com detalhes como a revelação de que as primeiras mangueiras começaram a ser plantadas em Belém em 1780, segundo relatos do arquiteto e também naturalista Antônio Landi, o estudo mostra que foi no governo do intendente Antônio Lemos (1898-1911) que a cidade ganhou a arborização que lhe rendeu o título de cidade das mangueiras, que num futuro próximo pode fazer parte “de um passado nostálgico”.
Os números citados no estudo não deixam dúvidas disso. Se até a década de 60 a cidade ainda era bastante arborizada, nas décadas seguintes houve um decréscimo no plantio de novas árvores e substituição das mortas. O plantio de árvores foi caindo progressivamente, passando de 27.979 mudas plantadas em 1989 para 18.950 mudas, em 1990 e apenas 4.486, em 1991, segundo dados do Horto Florestal da Secretaria Municipal de Urbanismo, citados pelos autores.
Empreendimentos mais recentes, como a construção da avenida Brigadeiro Protásio e a urbanização da Duque de Caxias e da Marquês do Herval, são citados como exemplos de intervenções realizadas pela prefeitura e pelo governo do Estado sem maiores preocupações com a arborização, privilegiando “a melhoria da circulação de veículos e de pessoas”, descuidando da importância das plantas para a melhoria do clima. Na 25 de Setembro, as árvores foram até sacrificadas.
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