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“Foi ao Pará parou. Tomou açaí ficou”. Esta letra de música retrata como o fruto é um dos pontos fortes não só da culinária paraense como faz parte da cultura do povo amazônico a ponto de fazer com que quem venha ao Estado se apaixone quando tome o açaí nosso de cada dia. Além de saboroso é rico em ferro e pode até substituir uma refeição.
Só que um detalhe está fazendo com que o açaí se torne cada vez mais distante da mesa do paraense: o preço. Desde que começou a entressafra, em novembro do ano passado, o litro já atingiu um reajuste de 50%, segundo levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em feiras, pontos comerciais e supermercados de Belém.
A entressafra teoricamente teria terminado no começo de abril passado, porém, as chuvas intensas que começaram a cair em maio fizeram com que a safra ainda não voltasse ao normal. O resultado disso é o litro do açaí grosso sendo praticado em alguns supermercados por até R$ 26. Já em alguns pontos de bairros mais centrais como o Umarizal o preço está em torno de R$ 18.
O período não está nada favorável para o consumo de grande parte da população, mas para quem é “viciado” em açaí e não consegue abrir mão dele em sua dieta, tem que driblar o aumento, como é o caso do estudante David Moraes, de 23 anos.
“Eu estou aproveitando que o preço está alto para diminuir o meu consumo, já que tenho tendência para engordar. Estou tomando somente nas segundas, quartas e sábados. Dessa forma economizo e não engordo, mas se pudesse tomaria todo dia e com farinha. Agora eu gasto por semana de R$ 25 a R$ 30, dependendo de onde eu compre”. No Jurunas, onde o estudante mora, o preço do açaí médio custa em torno de R$ 10 e o grosso R$ 14.
Segundo Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese, não só o fator sazonal tem contribuído para a alta do açaí. “A falta de uma política pública do governo estadual faz com que ele se preocupe muito mais com a exportação do que com o consumo interno. O Pará produz 90% do que é consumido no país. O açaí faz parte de nossa cultura e tem que ser encarado como tal. Ele já foi alimento do pobre, mas hoje somente os ricos têm condições de consumi-lo com frequência”.
Segundo o Dieese, no começo do plano real, em 1994, o açaí era vendido em Belém por R$ 1,85 o litro do médio. De lá para cá o crescimento foi de 600%. “Mesmo quando a entressafra terminar, vai demorar para voltar a ser vendido o açaí a um preço acessível a todos”. (Diário do Pará)
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