(Foto: Luisa Horta)
Até para quem é de fora do Pará, falar de tecnomelody já virou lugar comum. Em poucos anos, de mera curiosidade, o gênero rompeu as fronteiras locais e virou tendência. Prova da influência é que ele abarca desde músicos populares como os baianos da Djavú, que repete (alguns diriam que plagia) a mesma fórmula consagrada nas periferias paraenses para o resto do país, até chegar em modernosos como DJ Cremoso, fenômeno da internet que arrancou dezenas de milhares de acessos em seu site misturando as batidas do tecnobrega a Radiohead, A-Ha e Lady Gaga.
É arriscado falar em originalidade a essa altura da história, mas a festa Baile Tropical foi, sem dúvida, um marco. Ao levantar a bandeira do brega em seu set, o evento serviu de ponte entre os artistas até então relegados ao circuito das festas de aparelhagens a um público jovem e de classe média. Dissipando, pelo menos em parte, a associação feita pela elite econômica local do ritmo ao mau gosto e à criminalidade.
Idealizado pelos DJs Patrick Tor4 e Bernardo Pinheiro, o Baile Tropical se configurou em um espaço de união de estilos calcados em ritmos brasileiros, tradicionais ou fora do circuito, vertentes que se enquadram no movimento global ghetto tech. Espécie de resposta do século 21 à world music, o ghetto-tech pode ser conceituado como uma junção de várias cenas “periféricas”, que diferem em ritmo e influências, mas têm em comum o fato de serem feitas no computador, calcadas em ritmo e batida eletrônica.
Por exemplo, já se apresentaram nas festas desde o expoentes do eletromelody, como os paraenses do Gangue do Eletro, até o DJ Tudo, músico, pesquisador e produtor que mistura maracatu, afoxé e outros ritmos típicos brasileiros com música eletrônica. Além de atos inusitados como DJs argentinos que tocavam cumbia colombiana digital e um alemão que fazia versões de baile funk.
A proposta do baile também reflete os universos musicais distintos de seus organizadores. O sergipano Patrick Tor4 foi ex-integrante da banda de baião e samba Naurêa. O paraense Bernardo Pinheiro é sobrinho da cantora de MPB Leila Pinheiro, mas descambou para o rock e fez carreira como DJ de drum’n’bass.
E agora, tal qual o baile funk chamou a atenção da cena eletrônica europeia na década passada, o tecnobrega se prepara para trilhar os primeiros passos no exterior. No aniversário de um ano do Baile Tropical, a festa promove um evento simultâneo em Belém e em Paris.
Hoje (13), no Café com Arte, os DJs locais Bernardo Pinheiro Jaloo, Azul, Damaso e Marcel se apresentam ao lado do convidado DJ Anônimo, que realiza a festa Adocica em Belo Horizonte e São Paulo. No palco, acontece o show da banda paraense de surf music e lambada The Vassos.
Em Paris, os DJs franceses Tom B e Vodkakoka recebem os brasileiros Patrick Tor4 e Daniel Peixoto, ex-integrante do duo de eletro rock cearense Montage. A apresentação da dupla será transmitida durante a festa ao vivo pela internet.
A versão francesa da festa faz parte da turnê europeia do DJ que já passou pela Espanha, Áustria e Eslováquia, e serve de prévia dos planos de expansão do Baile Tropical, que ganha este ano uma nova sede: Recife (PE).
Em entrevista por e-mail concedida ao DIÁRIO direto da França, Patrick Tor4 comenta sobre a atual fase do projeto, discute o papel do tecnobrega no cenário nacional e se defende das acusações de que só querem tirar mais uma casquinha do sucesso do gênero. Leia a entrevista no Diário do Pará
SERVIÇO
Baile Tropical - Aniversário de 1 Ano com os DJs Anônimo (Adocica MG/SP), Bernardo Pinheiro, Azul, Jaloo, Marcel Arede, Damaso e a banda The Vassos. Acontece hoje (dia 13), a partir das 23h, no Café com Arte (Rui Barbosa, entre Braz e Nazaré). Ingresso: R$ 10. Para desconto, envie seu nome para o e-mail: tropicalbaile@gmail.com
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