Exposição envolve ações educativas (Foto: Guerrilha Filmes)
Ele criou penetráveis, bólides e parangolés. Queria mexer com os sentidos. Por isso, para Hélio Oiticica, o espectador da obra de arte na verdade é um “participador”. Inaugurando projetos contemporâneos e afirmando conceitos artísticos lá na década de 1960, o artista – sem dúvida um dos expoentes da arte brasileira – compreendeu o público de exposições não mais como visitantes. E isso é essencial para entender a sua produção.
Convidado a percorrer, penetrar, tocar, interagir, o espectador sai da condição estática de “visualizador” da obra e passa a compô-la. No período em que as obras foram criadas, havia muita mudança e reflexão em torno das criações; Oiticica foi em busca da experimentação sensorial do espaço. Em seu livro “Aspiro ao Grande Labirinto” (Rocco, 1986), o artista defende: “A ação é pura manifestação expressiva da obra”.
Para estimular ainda mais esse caráter participativo proposto por Helio Oiticica, a exposição envolve uma série de ações educativas que têm como objetivo apresentar as obras. Acontece hoje a programação “atitudes e forma”, com intervenção do artista paraense Ricardo Macêdo. A atividade “Amarelinha da memória: espaços de aceitação do outro” acontecerá a partir das 19h, no conjunto de obras “Rhodislândia”, no Espaço Fórum Landi. O artista aproveita a concepção de “participação” de Hélio Oiticica para distendê-la. Levando a condição ao extremo, Ricardo sugere que se observe também, para além da matéria corpórea, o movimento intersubjetivo dos visitantes e o fluxo de emoções decorrente de interações lúdicas. Para alcançar esse objetivo e compor o cenário, Ricardo contará com jogos de tabuleiro, cartas e quaisquer outros tipos de jogos que possam provocar mutuamente os jogadores.
O que interessa para Ricardo nessa intervenção é notar as interações humanas de forma mais ampla. “Em um jogo, estamos cientes de que vai haver competição, mas também diversão. Me interessa a dimensão humana, não apenas o jogo em si. O jogo é um suporte para vivenciar situações com o outro. Perceber essas situações acaba sendo a obra”, diz o artista, que acredita que as obras de arte também podem gerar afetos e compartilhamento de emoções. (Diário do Pará)
PARTICIPE
Exposição “Hélio Oiticica – o museu é o mundo”
Ação Educativa “atitudes e forma”, com intervenção do artista paraense Ricardo Macêdo. Atividade “Amarelinha da memória: espaços de aceitação do outro” a partir das 19h, no conjunto de obras “Rhodislândia” - Espaço Fórum Landi (Praça do Carmo, s/n , Cidade Velha). Entrada franca. Informações: 3202-4313.
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