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Empresários pedem que a tarifa suba para R$ 2,21 (Foto: Thiago Figueira)
A possibilidade de um reajuste no preço da passagem de ônibus vem provocando indignação nos usuários, que também reclamam das condições do serviço oferecido pelas empresas de transporte. “Não adianta aumentar o preço se as condições que são impostas para nós usuários são péssimas. Os ônibus são sujos e calorentos. Eu tenho que torcer para que não chova enquanto eu estou dentro dele porque, quando isso ocorre, fica pior ainda. Por isso acho que é um desrespeito o que os empresários fazem com a gente”, disse a comerciária Michelle Patrícia Silva, de 24 anos.
Porém, um novo reajuste após 15 meses, pode estar bem perto. Hoje (6)será realizada uma reunião do Conselho Municipal de Transporte de Belém para avaliar a proposta do Sindicato das Empresas de Transporte de Belém (Setrans-Bel) de R$ 2,21, enviada na semana passada. No final de fevereiro, o sindicato enviou À CTBel planilha com o valor de R$ 2,15. Atualmente a tarifa custa R$ 1,85.
Os usuários de ônibus também reclamam do tratamento que recebem dos motoristas e cobradores. “Eles são muito nervosos e alguns até grossos. Temos que aguentar o mau humor deles. Já vi muito idoso sofrendo na parada de ônibus para pegar o ônibus. Sem falar que se a gente for reclamar de qualquer coisa, estamos sujeitos e levar desaforo pela cara. Por tudo isso, deveríamos pagar R$ 1 pela passagem. Mais que isso, somente se tivéssemos um tratamento digno de todas as formas”, opinou a estudante Carla Ferreira Albuquerque, de 29 anos.
QUEIXAS
O coordenador geral da Associação dos Usuários de Transporte de Belém (Ultrabel), Leandro Borges, enfatiza que as principais queixas de quem depende do transporte público para se locomover são com relação ao serviço prestado. “É praticamente unânime. Os coletivos são sujos e os condutores e cobradores mal educados, precisando de uma boa qualificação e remuneração. O estresse do dia a dia também os levam a ter um comportamento que não agrada aos usuários”.
Segundo Roberto Sena, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que faz parte do Conselho, o aumento proposto pelo Setrans-Bel provocaria um impacto muito grande no bolso do trabalhador. “Acho difícil que o Conselho aprove. Esse valor é muito alto, quase 20% de reajuste. A inflação no período de um ano foi de 8,5% e tomando esse percentual como base, o reajuste não passaria de R$ 2”.
Os cálculos do Dieese apontam que o valor atual representa, para quem pega duas conduções por dia, um gasto mensal de R$ 88,80, o que representa 16% do salário mínimo. Com o valor proposto pela Setrans-Bel, de R$ 2,21, o gasto para o assalariado passaria para R$ 105,95 ou 19,44%. “O valor da tarifa é a mais baixa entre as capitais brasileiras. Porém, de nada vale estar entre as tarifas mais baixas se está entre as que oferece o pior sistema de transporte do país”, disse.
Segundo a assessoria de imprensa da Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel), a instituição não irá apresentar hoje uma planilha com a proposta para o reajuste. Porém, no começo da semana, a presidente da CTBel, Ellen Margareth, disse que será apresentada uma proposta com um valor diferente do enviado pelo sindicato. O Setrans-Bel não quis se manifestar sobre o pedido. (Diário do Pará)
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