Real Class caiu no final de janeiro. Laudo apontou erros estruturais. (Foto: Paulo Akira / Arquivo)
A Câmara Especializada de Engenharia Civil, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PA) decidiu pela prudência em relação à apuração das responsabilidades pela queda do Real Class e na decisão de cassar ou não a licença do engenheiro calculista Raimundo Lobato. Por isso, quer uma cópia do laudo produzido pelo Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, documento que está sendo analisado no inquérito criminal.
“O laudo dos engenheiros da UFPA satisfez o que nós queríamos, que era descobrir o que provocou o colapso do prédio e não há dúvida de que foi a falha no cálculo estrutural”, pontuou o presidente do órgão, José Viana. Ele esclareceu que no laudo produzido pela Faculdade de Engenharia foi sinalizado que os estribos de ferro não estavam de acordo com a normativa técnica,mas isso não causou o acidente, e sim os esforços horizontais, em particular o vento.
“A Câmara Civil de Engenharia não contestou o laudo, mas, quanto ao aspecto punitivo prefere aguardar para ter à disposição um número maior de dados, não temos pressa”, esclareceu Viana.
Para o engenheiro Manoel Diniz Perez, que faz parte do Grupo de Análise Experimental de Estruturas e Materiais (Gaema/UFPA) e que também é diretor da Faculdade de Engenharia da UFPA, o interesse do Crea no laudo do CPC Renato Chaves não representa descrédito ao laudo produzido por eles. “Nós não somos polícia, somos técnicos que fizemos o laudo. O laudo oficial é o do IML”, lembrou. “Três laudos foram feitos e o Crea tem que juntar todos para avaliar, até porque o laudo do IML não diz muita coisa diferente do que diz o nosso. Os laudos são complementares”.
Diniz culpa o engenheiro responsável pelo cálculo da obra pela queda. “Teve erro de cálculo, ele não calculou a parcela do vento”, afirma.
O diretor geral do CPC, Orlando Salgado Gouvêa, informou que não vai enviar o laudo ao Crea-PA enquanto a entidade não solicitar a cópia formalmente. O DIÁRIO procurou o engenheiro Raimundo Lobato, porém ele não quis se pronunciar sobre o assunto.
DEPOIMENTO
De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o engenheiro calculista do edifício Real Class, Raimundo Lobato, vai depor amanhã, às 14h30, na Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe), responsável pelo inquérito que apura as causas do desabamento. (Diário do Pará)
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