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Considerado um dos assuntos mais preocupantes nas escolas e que passou a ser debatido com mais profundidade em todo o país depois do massacre de Realengo, no Rio de Janeiro, em 7 de abril deste ano, o bullying foi tema de uma mesa-redonda na noite de segunda-feira (25), na Universidade da Amazônia (Unama). A iniciativa foi do Observatório de Violências nas Escolas, um projeto de extensão da instituição.
O termo ‘bullying’ deriva da palavra ‘bullies’, que significa ‘valentão’ em inglês, explica o professor Reinaldo Pontes, que coordenou uma pesquisa que ouviu 1.770 pessoas, entre alunos, professores, técnicos, diretores e pais, em 2006, em 24 escolas de ensino fundamental e médio na Região Metropolitana de Belém.
Realizada com o apoio da Unesco, a pesquisa concluiu que cerca de 70% dos entrevistados já haviam presenciado violências físicas nas escolas e 40% violências psicológicas.
O bullying é a violência física ou psicológica dos mais forte contra os mais fracos, realizada com frequência, e que pode levar a consequências como a perda de autoestima e até o suicídio, o homicídio e a vingança, explica Pontes. Para mudar essa situação, ele diz que é preciso o envolvimento de toda a comunidade e não só das escolas. Estas, afirma, precisam investir mais em psicólogos e assistentes sociais, mas “é preciso trabalhar com a rede de instituições públicas e privadas e garantir um espaço mais lúdico e seguro nas escolas. Só portão eletrônico não resolve”.
A agressividade, segundo ele, está ligada à formação de valores na família. Quem é vítima da violência doméstica tem a tendência a descontar nos mais fracos que acabam se tornando em vítimas do bullying.
A jornalista Raíssa Daguer, 22, destacou a abordagem sobre o “cyberbullying” (bullying pela internet) e considerou que eventos como esses ajudam as pessoas a evitarem e as vítimas a denunciarem o bullying e procurar ajuda. Uma professora, que não quis se identificar, se emocionou ao lembrar a violência que sofreu na escola durante a infância. “Tinha um garoto que me batia e cuspia em mim”, contou. Ela aturou a violência por um ano porque a mãe não quis que ela mudasse de sala de aula. Mas a professora fez diferente com a filha, que é a única de um grupo de amigas que não foi vítima da violência por causa dos cuidados da mãe. Ela diz que as palestra ajudam muito, como medida preventiva e de defesa e de incentivo ao “engajamento nas redes institucionais de combate ao bullying”. (Diário do Pará)
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