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Defasagem entre médicos e planos de saúde estaria em mais de 100% (Foto: Everaldo Nascimento)
Um caixão colocado em frente ao Conselho Regional de Medicina (CRM) foi o símbolo da paralisação realizada ontem pelos médicos que atendem operadoras de planos de saúde. “Esse é um enterro simbólico, para entenderem que chegamos ao limite. Se não conseguirmos negociar, vamos enterrar alguns planos”, disse João Gouveia, diretor do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa).
A mobilização, realizada em âmbito nacional, durou 24 horas. Ontem não foram realizadas consultas e outros procedimentos eletivos. Em uma clínica particular, na avenida Generalíssimo Deodoro, a atendente informou apenas que os procedimentos já agendados haviam sido remarcados. Já nos hospitais onde há atendimento de urgência e emergência, o trabalho continuou em ritmo normal.
A previsão era de adesão de cerca de 160 mil médicos em todo o Brasil. Segundo Gouveia, o manifesto é um pedido de valorização do trabalho dos médicos. “Os planos de saúde tem reajuste de até 144% ao ano e o do médico não chega nem a 60%, uma defasagem de mais de 100%”, conta.
Além disso, os planos também estariam interferindo no trabalho dos profissionais. “Eles limitam os exames, a prescrição de medicamentos, agilizam a alta de pacientes”, exemplifica.
Segundo o médico Thiago Araújo, os valores repassados pelos planos são muito baixos. “Às vezes são R$30,00 por consulta sendo que o paciente ainda tem direito ao retorno. O pagamento pode demorar de dois a três meses para ser liberado. O usuário paga muito e às vezes reclama do valor que paga e do atendimento precário”, diz.
Uma assembleia geral deve ser realizada pelos médicos no final de junho para decidir o que deve ser feito em relação ao assunto. “Agora, após o ato, vamos começar a negociar. Teremos cerca de dois meses para isso”, afirmou Gouveia. (Diário do Pará)
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