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Segundo Pedro Vasconcelos, o período chuvoso é o mais perigoso (Foto: Paula Lourinho)
O Pará já registra 14 casos de dengue tipo 4, segundo o boletim da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), divulgado ontem (6). São 13 casos em Belém e um em Ananindeua. Para que não ocorra uma epidemia, a Sespa redobra a vigilância em parceria com os municípios. É o que explica a coordenadora do controle de dengue da Sespa, Carla Garcia.
“Combate é incansável. Nossa principal parceira é a população. Estamos com uma campanha forte para que as pessoas tenham consciência. Porém, o combate do vetorial é feito por todos os órgãos dos municípios. Estamos convocando também as entidades de classe e as igrejas para que atuem como agentes multiplicadores. É importante ressaltar que a maioria da população não teve a dengue tipo 4 e precisamos evitar que a dengue se alastre e, dessa forma, evitamos o tipo mais grave, que leva à morte, que é a dengue hemorrágica”.
Os casos em Belém ocorreram nos bairros da Maracacuera, Águas Negras, Tenoné, Pratinha, Cabanagem, Marambaia, Marco, Canudos e Condor. Em Ananindeua, o caso foi registrado no bairro do Coqueiro. Segundo Carla, todos os casos foram tratados a tempo e não apresentaram manifestações hemorrágicas.
Para minimizar o impacto da circulação do novo vírus, as Vigilâncias Epidemiológicas de Belém e Ananindeua realizam diversas ações. “Começa com a notificação, depois fazemos a investigação de campo para avaliação do caso e determinação da amplitude da circulação viral, investigamos onde os pacientes podem ter se infectado. Depois vem o controle com a intensificação do combate ao mosquito adulto e às larvas, por meio de controle biológico e químico”.
O Instituto Evandro Chagas (IEC) também divulgou um balanço da doença, mas com dados diferentes. O IEC aponta que foram registrados 11 casos da dengue 4 em Belém, um em Ananindeua e um em Santarém Novo. Segundo a Sespa, o caso do último município ocorreu no ano passado. Casos desse tipo de dengue já foram registrados em mais cinco Estados.
VÍRUS
Segundo o pesquisador do IEC, Pedro Vasconcelos, pelo fato do vírus continuar se dispersando por todo o país existe uma grande possibilidade de que o número de casos aumente com o período das chuvas. Vasconcelos afirma ainda que a época mais preocupante é quando chove. “Aqui na região norte chove sempre, mas as chuvas tendem a se intensificar de dezembro a junho. Nesse período temos que nos manter mais atentos”.
As diferenças entre os quatro tipos de dengue não podem ser percebidas apenas pelos sintomas. Segundo o pesquisador, as características dos diferentes tipos da doença são as mesmas, incluindo os métodos de controle. A diferença entre eles só pode ser feita através de exame laboratorial realizado no IEC. Mesmo assim o cuidado é redobrado em relação a evolução da dengue clássica para a hemorrágica.
Conforme Vasconcelos, a dengue hemorrágica tende a ocorrer em pessoas que já tiveram dengue alguma vez. “Quem nunca teve dengue é difícil evoluir para uma hemorrágica”.
O pesquisador comenta que os principais focos e fatores para a disseminação da dengue no Pará é a falta de abastecimento contínuo de água e o grande acúmulo de lixo. Segundo Vasconcelos, as pessoas acabam reservando água em casa para uso diário de forma indevida, deixando a principal forma de reprodução do mosquito da dengue, Aedes aegypti, exposta. “Se a prefeitura fizesse a coleta de lixo sempre e o abastecimento de água fosse contínuo, os focos reduziriam bastante e sobraria para o município apenas o combate à doença em si”.
DENGUE CLÁSSICA
Segundo a Sespa, no período de 1º de janeiro a 6 de abril deste ano, foram notificados 11.709 casos da doença em todo Pará, dos quais 3.827 foram confirmados. (Diário do Pará)
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