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Murilo Ferreira vai presidir a segunda maior mineradora do mundo (Foto: Eduardo Monteiros/ Exame)
Os controladores da Vale escolheram ontem o executivo Murilo Ferreira como o próximo presidente da Vale, maior empresa privada do país e segunda maior mineradora do mundo. Ele vai substituir Roger Agnelli, que em julho completaria dez anos na presidência da companhia.
Murilo Ferreira é ex-funcionário da Vale. Trabalhou na companhia duas vezes. Na última, de 1998 até 2009, quando presidia a Vale Inco no Canadá. Segundo fontes que acompanham o processo, Ferreira era o candidato da presidente Dilma Rousseff. Os dois se conheceram quando o executivo era presidente da Albrás, fabricante de alumínio, e Dilma era ministra das Minas e Energia. Como a Albrás é grande consumidora de energia e Ferreira é especialista no assunto, os dois estiveram reunidos várias vezes e trocavam informações sobre o setor.
A escolha de Murilo já era aventada entre os controladores, mas não deixou de ser uma surpresa. O favorito era Tito Martins, diretor executivo e atual presidente da Inco. José Carlos Martins, diretor executivo de Estratégia, Vendas e Marketing, também corria por fora.
CONSELHO
Formalmente, o nome de Murilo Ferreira deve passar pelo Conselho de Administração da Valepar, holding que controla a Vale, e precisa ser aprovado pelo novo Conselho de Administração, que será aprovado em assembleia de acionistas marcada para 19 de abril. No mês que vem, o Conselho, renovado, sacramenta a escolha dos acionistas. Na prática, ele já é o novo presidente da Vale.
Com lucro de R$ 30 bilhões no ano passado e R$ 24 bilhões no orçamento para investir neste ano, a mineradora exerce um poder de atração gigantesco sobre os políticos.
O governo tenta atrair a Vale para o consórcio criado pelo Planalto para construir a Hidrelétrica de Belo Monte, que já está atrasada. Antes disso, ainda na gestão Lula, forçou a mineradora a anunciar a construção de siderúrgicas - algo que nem os empresários da siderurgia estão fazendo neste momento. Finalmente, para agradar prefeitos de municípios mineradores, o Planalto tenta forçar a mineradora a pagar uma conta de R$ 4 bilhões em royalties - que ela não reconhece e discute na Justiça.
O governo exerce forte influência na mineradora por meio de um grupo de fundos de pensão liderados pela Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que são acionistas da empresa. Os outros dois controladores são o Bradesco, pela Bradespar, e a trading japonesa Mitsui.
Por tudo isso, o próximo presidente da Vale precisará ter jogo de cintura suficiente para harmonizar interesses da companhia com as demandas de Brasília. Agnelli não teve essa habilidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo (Agência Estado).
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