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Neide fez transplante de rim e se libertou da “vida animal” que levava (Foto: Adauto Rodrigues)
Ao acordar de um coma induzido que durou três dias em um quarto de hospital em maio de 2002, Antônio Augusto Coelho de Souza percebeu que alguma coisa em seu corpo havia mudado. Enquanto médicos e enfermeiros o olhavam com curiosidade, o que lhe prendia a atenção era a intensidade da pulsação das veias de seu pescoço. A força com que o novo coração, que havia recebido dias antes, batia em seu peito o fez acreditar que dali para frente sua vida seria muito diferente.
Antônio Augusto foi um dos cinco primeiros transplantados de coração em Belém. Ele herdou de seu pai a doença que fez com que sua infância e adolescência fossem marcadas pela cautela excessiva. “Desde os sete anos, nossa vida já foi limitada. Não podia correr nem fazer exercício”, conta, fazendo referência aos irmãos que também apresentaram o problema de dilatação na membrana do coração.
Por mais que a doença tenha sido identificada desde cedo, foi por volta dos 40 anos que ele começou a apresentar os sintomas mais intensos: tontura, falta de ar, vista escurecida. “Era um drama”, lembra. Foi então que ele recebeu a notícia de que teria apenas mais seis meses de vida. “O médico me disse que eu não estava em condições de vida. Ou eu fazia o transplante ou esperava a morte”.
Foi o coração de um rapaz diagnosticado com morte encefálica que possibilitou que Augusto continuasse vivo e que lhe deu uma qualidade de vida que nunca havia experimentado. “Eu senti uma mudança na hora. A partir daquele momento, eu entendi que Deus me deu uma nova vida”.
Coisas simples como comer, andar e falar eram difíceis para o organismo fraco de uma pessoa que lutava contra a doença desde a infância. Agora, com o coração novo, além de enfrentar a rotina intensa do comércio que possui, pratica vôlei e futebol de salão três vezes na semana e, quando pode, caminha até 5km na esteira. A dificuldade de comer de outrora hoje é a forma encontrada para comemorar. “Eu dava uma garfada e tinha que esperar um tempo para comer de novo. Antes, não comia nem 200 gramas. Hoje, comemoro comendo churrasco”.
E as comemorações são muitas. O aniversário é festejado duas vezes. “São 54 anos de carcaça e 8 anos, 9 meses e 18 dias de vida nova”. Sempre que é perguntado sobre o tempo em que já está com o coração novo, responde assim, contando cada dia. “Comemoro todos os dias. Eu passei a ser uma pessoa normal, sadia, o que eu não era antes”. Leia mais no Diário do Pará.
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