metade da população brasileira já sofre com excesso de peso (Foto: Tarso Sarraf)
As rotinas exaustivas do dia-a-dia e as mudanças de perfil da sociedade brasileira nas últimas décadas fizeram com que diversas famílias tivessem menos tempo, em consequência, menos foco na questão da alimentação.
Toda essa tendência afetou o que e como alimentamos nossos filhos e a nós mesmos. E provocou um alerta à saúde pública para o aumento de pessoas obesas. Sabemos que a obesidade já é considerada uma epidemia mundial e um fator determinante para o aparecimento de doenças crônicas como a diabetes, hipertensão, doenças cardíacas entre outras.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgados em 2010 apontaram que, quase metade (49%) da população brasileira apresenta excesso de peso. Entre as crianças, o estudo revelou que em cada três crianças entre 5 e 9 anos (35,5%) tem obesidade. Já entre os adolescentes de 10 a 19 anos (20,5%) estão acima do peso e 4,9% são obesos.
PREVENÇÃO
Pensando nos fatores que podem contribuir para minimizar o aumento da doença, um grupo de professores do Curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará (Uepa) criou o “Programa de Prevenção às doenças e aos agravos não transmissíveis (DANT)”.
O trabalho foi aprovado no Programa de Extensão Universitária (Proext), ano passado, e realizado pelo Governo Federal, representado pelo Ministério da Educação em parceria com diversos outros ministérios da Cultura, da Pesca e Aquicultura, da Saúde, das Cidades, do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, do Trabalho e Emprego, além do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.
Para a Coordenadora do projeto, professora e doutora Maria Florinda Pena de Carvalho, o diagnóstico precoce da doença em crianças e adolescentes e a implantação de ações para o tratamento preventivo são a palavra-chave do programa. “A intenção é formar um centro de excelência para abordar a situação nutricional de crianças e adolescentes, no âmbito da assistência médica (preventiva e curativa) e educacional, tanto para o público-alvo como para os alunos da universidade”, acrescenta.
As ações serão desenvolvidas no período de janeiro a dezembro deste ano, por uma equipe multidisciplinar formada por pediatras, nutricionistas, endocrinologistas, educador físico, psicólogas, pedagogos, enfermeiros, assistentes sociais e alunos bolsistas da universidade.
A equipe fará o atendimento e acompanhamento de crianças e adolescentes diagnosticados com síndrome metabólica e anemia. Todos os procedimentos serão feitos no espaço Maternar, localizado no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), no bairro do Marco.
A seleção será destinada aos alunos do ensino fundamental das escolas localizadas nas áreas do Entroncamento e do bairro do Marco, todos próximos ao ambulatório. “Elas serão pesadas e avaliadas sua estrutura, cintura abdominal e a pressão arterial. Os que estiverem fora da normalidade serão encaminhados para o tratamento na Uepa”, diz Florinda.
Escola e família são cruciais na luta contra o mal
Outra meta do programa preventivo da Uepa é atingir dois personagens importantes para a melhoria da qualidade da alimentação dos jovens atendidos: a escola e a família.
Todo trabalho será voltado para auxiliar esse público por meio de palestras educativas sobre a qualidade e questão nutricional dos alimentos oferecidos nas escolas e em casa.
“A ideia é fazer frente às consequências de uma alimentação inadequada na saúde da criança de hoje e do adulto de amanhã”, finaliza a coordenadora.
O trabalho está em fase inicial e atende, atualmente, 20 crianças com diagnósticos de obesos e sobrepeso.
(Diário do Pará)
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