Para Ewerton,o diagnóstico da dengue deve ser enfatizado nas campanhas (Foto: Ney Marcondes)
Acusado de ser um dos principais responsáveis pela morte de pessoas infectadas com dengue, o diagnóstico tardio ainda é uma realidade no Estado. Mas, apesar de ter especial importância nos primeiros atendimentos, a responsabilidade pela situação não cabe somente aos médicos. Fatores como escassez de laboratórios, descuido dos pacientes já doentes e falta de prevenção também contribuem para o retardamento da cura.
O pesquisador Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas, explica que existem dois tipos diferentes de diagnósticos, o clínico e o laboratorial. É no primeiro momento, em frente ao médico, que são sugeridas hipóteses de doenças e o tratamento a ser seguido. Porém, somente após a realização de testes moleculares ou de isolamento viral é que ocorre a confirmação dos casos de infecção.
E se a demora de 3 semanas para confirmar a enfermidade já parece longa, registra-se que poderia ser ainda maior, uma vez que nem todas as notificações passam por análise em laboratório. “Retiramos amostras do número total de notificações. A cada 20 pessoas notificadas ainda nos primeiros 5 dias da doença, uma passa pelo processo de isolamento viral. Já o exame de sorologia é feito em uma de cada 10 pessoas que já contabilizam mais de 6 dias da enfermidade”, explica.
A justificativa para a seleção está na limitação dos laboratórios.
DIFICULDADES
“Seria impossível darmos conta de todas as notificações”, admite. Além disso, outro aspecto que tem contribuído para o diagnóstico tardio é o envio de casos oriundos do interior do Estado. “Devido aos custos de locomoção, muitos municípios acumulam as amostras e mandam tudo de uma só vez”, diz o pesquisador. Comportamento indevido também é notado em alguns pacientes.
“Muitas vezes, as pessoas só procuram o médico quando o quadro se agrava. Antes disso, permanecem em casa tratando com antitérmico”, afirma.
Concordando com a importância do diagnóstico precoce e do atendimento de qualidade, o secretário estadual de Saúde, Hélio Franco, preferiu frisar a questão da prevenção. “O Estado vai continuar cuidando dos casos graves e garantindo atendimento à população, mas a sociedade precisa integrar essa luta e parar de achar que os sintomas são simples”, comentou. Leia mais no Diário do Pará.
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