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Paraenses participam do Festival Performance Arte

Segunda-Feira, 21/03/2011, 01:53:37 Ver comentário(s) A- A+

Paraenses participam do Festival Performance Arte (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Este mês, sete artistas paraenses participam do Festival Performance Arte Brasil, que começa amanhã e segue até o dia 27, no Museu de Arte Moderna (MAM), do Rio de Janeiro. Orlando Maneschy participa como integrante da equipe curatorial, responsável pela região Norte, e com a performance “Karaokê D’Or”. Já conhecido em Belém como o “homem-frango”, Victor de La Rocque vai apresentar a performance “Gallus Sapiens”. Armando Queiroz participa com três ações: “Cão”, que será apresentada ao vivo; “Midas” e “Bebendo Mondrian”, com performances direcionadas para vídeo.

Na mostra “A Imagem como performance: alguns casos na Amazônia” participam também Luciana Magno, com “Mais Rapidamente para o Paraíso”, Maria Christina com o vídeo “Subindo a Serra”, e Ricardo Macêdo e Bruno Cantuária com “Identidades Móveis”. A partir de uma configuração recente na proposição de editais e festivais nacionais de arte, a região Norte, antes esquecida e à margem de um conhecido “circuito”, passa a integrar em peso atividades artísticas em todo o Brasil.

Belém se destaca com produção visceral

De acordo com o curador, para selecionar ações performáticas numa região de proporções continentais foi preciso procurar artistas com projetos densos, que propõem questionamentos sobre as relações com a vida nesse espaço geográfico.

“Procurei artistas que desenvolvem projetos na região e que pensam sobre seu papel, sobre as relações com o ‘outro’, com a história”, diz Maneschy. Exemplo emblemático é a performance “Midas”, de Armando Queiroz, em que o artista mastiga insetos como forma de representar o “formigueiro humano” da extração de ouro em Serra Pelada, no Pará.

Ele voltou depois de décadas ao local para perceber o que aconteceu com os trabalhadores: miséria, fome, doenças, desemprego. “Com o rosto pintado de dourado passo a devorar insetos, regurgitando-os. Eles saem dessa grande boca como se saíssem da cratera que tem o lago contaminado com mercúrio. Esse trabalho parte do meu envolvimento com essas realidades”, explica.

Em outro vídeo, “Bebendo Mondrian”, Armando Queiroz utiliza a pintura na arte contemporânea para expor a sua própria relação com a linguagem. Sentado em uma cadeira, com um fundo escuro, o artista começa a beber líquidos com as cores imortalizadas na obra do artista modernista holandês: azul, vermelho, amarelo e preto. “A performance é um gesto simples e seco, direto. Bebo cada um dos líquidos para deglutir as tintas, como se fosse uma pintura interna. É um anticlímax, a ação termina e volta para o ‘black’”, explica.

Victor de La Rocque, também em uma ação de descontentamento em relação à vida, apresenta “Gallus Sapiens”, em que caminha com galinhas amarradas pelo corpo.

“Já que vivemos num mundo onde quase nada nos tira de nossas comodidades, onde a violência contra si mesmo e o outro tornou-se banalizada numa prática cotidiana, a performance acaba tendo profunda relação com a condição humana”, diz.

PELO BRASIL

Flávio de Carvalho: A performance nascia como linguagem artística quando o escritor, arquiteto e artista vestiu o “New look“, um conjunto saia de pregas e blusa de mangas largas criado por ele, e saiu pelas ruas de São Paulo, em 1956, na sua “Experiência número 3”. Em 1931, o pioneiro já tinha ousado: em 1931, pôs um chapéu e andou no sentido contrário ao de uma procissão de Corpus Christi.

Hélio Oiticica e moradores da Mangueira: Dezenas de moradores da Mangueira, levados por Hélio Oiticica à abertura da histórica exposição “Opinião 65”, foram proibidos de entrar no MAM. O artista e seus convidados fizeram uma festa-performance-protesto nos pilotis do museu, vestindo e dançando com os parangolés de Oiticica.

Lygia Clark: A artista fez ações célebres que podem ser chamadas de performance, mas convidando o público a participar. Em “O eu e o tu” (1967), da série Roupa-Corpo-Roupa, um homem uma mulher vestem macacões e, com os olhos cobertos, buscam aberturas que possibilitem a exploração tátil um do outro. A obra foi apresentada na área externa do MAM.

Lygia Pape: Em “Divisor” (1968), a artista uniu cerca de 200 pessoas sob um mesmo tecido branco, andando juntas apenas com a cabeça de fora. O vídeo da performance, refeita no ano passado, está atualmente em exibição no MAM.

Antonio Manuel: O artista se inscreveu no 19º Salão de Arte Moderna apresentando a si mesmo como a própria obra a ser apresentada: o título era seu nome e as dimensões da obra eram as medidas de seu corpo. Recusado na competição, ele apareceu nu na inauguração da exposição, descendo as escadas do MAM, no que se tornou a emblemática performance “O corpo é a obra” — cujas fotos depois deram origem a ao objeto “Corpobra”.

Paulo Bruscky: Em 1973, o artista interrompeu o trânsito de uma ponte em Recife com uma faixa de cetim. O registro, feito para o filme “Arte/Pare”, foi exposto na 29a- Bienal de São Paulo, no ano passado.

Tunga: Convidados costumam participar das performances propostas pelo artista. Uma das mais emblemáticas foi “Xifópagas capilares”, em 1984, com duas gêmeas unidas pelos cabelos, que foram registradas em vídeo.

Márcia X.: A artista tomou um banho de leite condensado no evento “Orlândia”, em 2001. Márcia X. fez outras performances memoráveis, como “Ação de graças” (2001), com cada pé inserido na cloaca de um galo; e “Lavou a alma com Coca-Cola” (2003), imersa num tanque com o refrigerante.

MAIS

Performance Arte Brasil é um encontro nacional de artistas, curadores e pesquisadores da arte da performance e seus desdobramentos estéticos no campo das artes visuais no país, coordenado pela curadora Daniela Labra. O evento oferece em sua programação ações ao vivo, palestras, vídeos, filmes de artistas, videoinstalações e workshops. Visite: www.mamrio.org.br.

(Diário do Pará)

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