(Foto: Divulgação)
Desde o fim de fevereiro a comunidade médica e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) encontram-se em um impasse: os remédios emagrecedores, principalmente aqueles que têm a substância sibutramina em sua composição, devem ser banidos do mercado brasileiro?
Em janeiro deste ano a Anvisa lançou um alerta aos profissionais da saúde avisando sobre o risco da utilização desse tipo de medicamento. O alerta foi baseado no estudo SCOUT (Sibutramine Cardiovascular Outcomes), que provou que a sibutramina aumenta em 16% o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em pacientes que a tomam.
Devido a esse mesmo estudo, a substância foi proibida também na União Europeia e, agora, a proibição enfrenta resistência por parte da comunidade médica brasileira.
Para o endocrinologista Márcio Mancini, presidente do departamento de obesidade da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), basear a decisão no estudo é algo precipitado.
“Foi um estudo estúpido. Ele mostrou que 11,24% cardíacos tiveram mais infartos quando tomavam a sibutramina. Quando se analisou pacientes apenas diabéticos, mas sem doença no coração, a incidência foi 6,5% menor. Isso comprova que o aumento do risco foi com a população da doença coronariana, o que nós já sabíamos”, afirma.
Com a polêmica da possível proibição, os pacientes começam a ter dúvidas. “Os pacientes no meu consultório tendem a ficar inseguros, começam a ver controvérsia. Mas a sibutramina é extremamente benéfica para o coração das pessoas que não têm problemas cardíacos”, estima Mancini. Alguns pacientes, entretanto, decidiram colocar um fim ao uso da sibutramina por conta própria.
Angela Ernesto, por exemplo, tomou sibutramina durante um ano. “Decidi parar por causa dos efeitos colaterais do remédio, como insônia e mudanças de humor. Emagreci 15 quilos, mas já engordei tudo de novo”, conta. Para Angela, a retirada da sibutramina do mercado representaria uma mudança de hábitos. “Se [a substância] for proibida mesmo eu teria que fazer exercícios e dieta para emagrecer”.
Para o cardiologista Marcelo Sampaio, Chefe do Laboratório de Biologia Molecular do Instituto Dante Pazzanese, é necessário controlar a venda de medicamentos que contenham sibutramina. “Os médicos prescrevem a sibutramina muitas vezes sem pedir um exame cardíaco. Eles não conhecem o paciente e receitam assim mesmo. Isso não pode ser feito dessa forma”, afirma.
De acordo com Sampaio, o medicamento vem sendo utilizado de forma indiscriminada pelas pessoas. “Eu já vi casos de meninas de 18 anos que tomam sibutramina para ficar bem para as ferias de verão”, conta.
Uma decisão impositiva da parte da Anvisa, entretanto, está fora de questão para o especialista. “Nós temos que controlar esse remédio, mas para isso deve haver um diálogo: vamos conversar, falar com os europeus, ouvir os americanos. Deve haver um amplo debate”, finaliza. (eBand)
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