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DOL Entrevista: à espera de um transplante

Terça-Feira, 15/03/2011, 10:39:27
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DOL Entrevista: à espera de um transplante (Foto: Eunice Pinto/AgPa)

(Foto: Eunice Pinto/AgPa)

Belina Soares, 50 anos, é presidente e uma das fundadoras da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará. A associação existe desde 1999 e tem uma diretoria formada por pacientes e familiares de doentes renais crônicos. Dia 10 de março foi o Dia Mundial do Rim e domingo (13), na praça da República, houve uma manifestação de conscientização, com exames de pressão arterial, glicemia e medição de IMC (Índice de Massa Corpórea). Doenças renais atingem hoje cerca de 10 milhões de brasileiros. A maioria não sabe disso. Quando descobrir, pode ser tarde demais.

Qual sua a avaliação da manifestação?

BELINA SOARES - A promoção foi feita por clínicas de hemodiálise de Belém e Ananindeua e a Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará entrou como parceira da ação. O evento teve como objetivo de alertar a população das causas que levam a doença renal crônica. Hoje há um número enorme de pacientes entrando em diálise e muitas vezes você poderia retardar a doença através de um exame simples, como o de urina, creatinina e hemoglobina. A gente quer alertar a população para que as pessoas se cuidem, porque a doença renal crônica é irreversível. Quando atinge o rim e começa a perda da função renal na faixa de 80%, infelizmente não tem volta, nesse caso só hemodiálise ou transplante.

Quantos pacientes crônicos renais existem no Pará?

BELINA - Hoje no Pará 1.522 pessoas estão fazendo hemodiálise.

Há tratamento para todos?

BELINA - Nós temos uma demanda reprimida e isto já era previsto. Quando você abre um diagnóstico, é evidente que a demanda reprimida apareça, mas esta demanda reprimida também vem por uma série de fatores, dos municípios não fazerem seu papel que é investir na atenção básica e a outra situação nossa é também que o transplante no Pará praticamente parou. Poucos transplantes são feitos. Há 16 serviços, em que oito estão em Belém, os demais estão no interior: Marabá, Castanhal, Marituba, Redenção, Altamira e Santarém.

Por que está havendo esse problema de transplante no Pará?

BELINA - Em 2010 foram feitos apenas 34 transplantes, esse número é muito pouco. Isso é por causa de uma série de fatores. Primeiro a falta de infraestrutura: nós só temos um hospital público e nem chega ser um de transplante, é um hospital oncológico, o Offir Loyola. Nós só temos uma equipe de profissionais. Não há diagnóstico do possível doador, se tratando de óbito, em uma UTI. Então isso prejudica muito na questão do transplante. Para você ter uma idéia o Pará está 1.6 enquanto que a média em São Paulo e em Santa Catarina é de 2.2 por milhão de habitante. Em Fortaleza há três equipes de transplante, a fila por lá é praticamente zerada. Em 2010, Fortaleza superou muitos Estados do Sul e Sudeste do país em transplante de rins. No Pará temos 800 pessoas na lista de espera para transplante, que estão no tratamento da hemodiálise.

O transplante soluciona?

BELINA - O nosso objetivo realmente é dar uma qualidade de vida, que vem da qualidade de tratamento e o transplante faz com que o cidadão volte a produzir, volte a trabalhar, volte para o seio da sociedade, da sua família, enfim ela não deixa de ser um renal crônico, mas ele volta a produzir e trabalhar.

O paciente que faz hemodiálise não pode trabalhar?

BELINA - Não. Ele se aposenta por invalidez.

Quantas pessoas há na associação?

BELINA - Nós temos mais de dois mil associados, dentre eles todos são pacientes, que possuem alguma disfunção renal, os de hemodiálise e os transplantados. São 380 transplantados hoje no Pará.

Os transplantes continuam acontecendo ou estão parados?

BELINA - Os transplantes estão muito lentos. No final do mês passado tiveram quatro doações de rim, de pessoas que faleceram. Estes foram os quatro primeiros de 2011.
 
O problema maior para o transplante é a falta de doador?

BELINA - Exatamente, o problema maior é a falta de doador. Nós temos todo um governo, onde reativamos a câmara técnica de nefrologia, o qual nós estamos trabalhando em um plano estadual de nefrologia. Trabalhamos também tanto a atenção primária quanto o serviço de diálise e de transplante. Porque nós temos que trabalhar nessas três medidas de frente. E nós precisamos trabalhar as medidas imediatas que o governo fez no ano passado, para tirar essas pessoas o mais rápido possível dessa fila, fazendo com que elas não vão a óbito. Foram medidas emergenciais.
 
Quanto tempo de vida pode ter um renal crônico?

BELINA - A faixa de sobrevivência de um paciente renal em diálise é de cerca de cinco anos. E também é numa faixa de cinco anos que o paciente espera para transplantar.

(Cláudio Darwich / DOL)

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