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Talento de Deborah somado ao de outras atrizes garente sucesso (Foto: Divulgação)
Deborah Secco pode ser a alma - e a razão de ser - de Bruna Surfistinha, mas Fabiula Nascimento e Drica Morais conseguem ser ainda melhores do que ela como a prostituta barraqueira e a dona do bordel aonde vai parar a garota de classe média, ao abandonar a casa dos pais adotivos. Drica, superado o câncer, renasce como mulher e atriz. Não é o menor dos prazeres proporcionados pelo filme de Marcus Baldini.
Bruna ultrapassou rapidamente a marca do milhão de espectadores. Parabéns, o cinema brasileiro já está sabendo produzir seus blockbusters. Os críticos reclamam - qualquer filme que supere a marca de 5 mil espectadores se torna suspeito para quem reza pela cartilha do cinema de autor. Baldini, além de assinar um sucesso, veio da publicidade. Ele não é só suspeito. É culpado, alguém tem dúvida?
Pois deveria (deveriam, no plural) ter. Bruna Surfistinha é o mais gráfico e ousado tratado sobre a prostituição produzido pelo cinema brasileiro. Baldini trata Raquel/Bruna como personagem de ficção e, só no desfecho, depois que ela voltou a se prostituir - à difícil vida fácil -, o letreiro informa sobre a ‘redenção’ da heroína.
Na tela, o que se vê é a pauleira. Raquel, com o codinome Bruna, vira ficção de si mesma. É uma Gata Borralheira que se recusa a ser Cinderela - uma psicanálise básica diria que sua aversão ao príncipe encantado é reação ao universo familiar em que foi criada -, e dificulta ao máximo a tarefa dos que querem amá-la, sejam homens (presumíveis amantes) ou mulheres (amigas). O filme é gráfico ao extremo, sem chegar a ser explícito. O viés moralista de que foi acusado está onde? Ah, sim, no já assinalado letreiro final. Bruna não é um grande filme, mas também não bate na tecla fácil de que é a sociedade que prostitui os indivíduos. Raquel tem, e exerce, seu livre-arbítrio. O filme é, no limite, superior às críticas que tem recebido.
FERIADO LUCRATIVO
Apesar do feriadão de Carnaval, geralmente ruim para as bilheterias, “Bruna Surfistinha” conseguiu ultrapassar a barreira de 1 milhão de espectadores já no final de semana e figura entra os dez filmes mais vistos do ano. De acordo com a distribuidora Imagem Filmes, até o momento o longa levou 1,12 milhão de pessoas aos cinemas e arrecadou R$ 9 milhões com menos de duas semanas em cartaz.
“Bruna Surfistinha” estreou em primeiro lugar na semana passada – mesmo sem apoio da Globo Filmes –, com bilheteria de R$ 4,2 milhões e público de 400,4 mil pessoas, a segunda maior abertura de 2011 e a sétima no ranking do cinema brasileiro dos últimos 20 anos. O filme já faturou mais do que o dobro do seu orçamento, estimado em R$ 4 milhões.
(Agência Estado)
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