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Manifestação pacífica pede o fim das discriminações (Foto: Diário do Pará)
Já a partir desta semana todos os holofotes estarão voltados para as mulheres por conta do seu 8 de março. Mas um dado triste afronta: a cada dois minutos cinco mulheres são espancadas, segundo pesquisa recente realizada pela Fundação Perseu Abramo. Foi para abominar fatos como esse e esclarecer cada vez mais as mulheres a respeito de sua autonomia, que o Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense realizou ontem o Grito das Mulheres, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, na Praça da República.
Depois de circularem pela movimentada praça, interagindo com mulheres a respeito de temáticas que as envolvem, o Grito reuniu dezenas de feministas e simpatizantes, que realizaram um cortejo animado por uma banda só de homens, que tocaram marchinhas de carnaval e gritavam palavras de ordem.
“Estamos aqui tratando de desafios que as mulheres vivem na sociedade a respeito de sua autonomia, direitos e o que elas precisam para serem livres, ter plenos direitos. Precisamos acabar com esse machismo, com esse racismo da cor branca, desse modelo hetero como o único e da mercantilização do corpo da mulher”, explicou Nilde Souza, representante do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP).
Nilde avalia o processo discriminatório contra as mulheres como algo absurdo e citou situações chocantes sofridas por mulheres nesse sentido. “São discriminações, por exemplo, no serviço de saúde durante o parto praticadas por outras mulheres totalmente despreparadas no contato social com a paciente, que não podemos admitir. São frases do tipo ‘agora tá doendo, mas na hora de fazer não doeu, não é’ ou ‘nem adianta gritar que daqui a pouco estás aqui de novo parindo outro filho’, que são confessadas pelas mulheres. Exigimos um atendimento digno”, pediu.
Para a autônoma Julia Lima, que passeava pela praça e foi abordada por uma das mulheres que realizou o Grito, essa situação pela qual passam muitas mulheres requer uma total transformação da sociedade. “É fundamental que a sociedade como um todo olhe a mulher de forma diferente. A vitória da presidenta Dilma acredito que foi um passo vencido, mas acredito que todos perceberam a campanha absurda que ela sofreu porque era mulher”, disse.
AGENDA
De 30 de março a 2 de abril de 2011, milhares de mulheres estarão reunidas em Brasília/DF, no Encontro Nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (ENAMB), que é um espaço de debates aberto e autogestionado por suas participantes. Entre os objetivos do encontro está o de contribuir para a orientação das lutas das mulheres. (Diário do Pará)
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