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Da sacada, Iraneide contempla os escombros do edifício Real Class (Foto: Daniel Pinto)
No saguão do edifício Blumenau, prédio vizinho ao Real Class, que desabou no último dia 29, uma bromélia lilás foi colocada para dar uma ‘levantada no clima’. Mas a vida ali ainda não voltou ao ritmo normal pois, apesar do prédio estar, segundo a construtora Real Engenharia, pronto para voltar a ser habitado desde ontem (24), a maioria dos moradores aguarda até segunda-feira (28) a entrega do laudo complementar da perícia realizada pelo CPC Renato Chaves.
Segundo a Real, foram concluídos na quarta-feira a construção do muro, a recuperação do sistema de fossas biológicas, o sistema de abastecimento de água e a parte elétrica. Mas o DIÁRIO notou que a fossa continua aberta no meio do jardim frontal do prédio, e o condomínio informou que está faltando a fiação elétrica e por isso a eletricidade continua vindo do poste provisório.
“Ainda estamos sem telefone, internet e TV a cabo”, informou o procurador federal aposentado, Lúcio Amaral, morador nº 1 do Blumenau e que voltou ao edifício junto com a família há 18 dias. Mesmo assim, eles estão felizes por estar em casa. “Fomos correndo daqui, eu sem óculos e sem chinelos, a vizinha nos emprestou dinheiro e pegamos um táxi pra casa da cunhada da minha esposa. Dias depois contatamos a construtora e nos mandaram pro Formule 1 e de lá para o Expresso XXI, então nos ofereceram para ir para um terceiro hotel, mas não queríamos uma vida de cigano”.
Almira Amaral, responsável pela flor na entrada do prédio, contou que a ideia de voltar para o edifício partiu dela. “Eu falei pro Lúcio que tinham saído os laudos da Defesa Civil e os Bombeiros dizendo que o prédio era seguro, então devíamos voltar pra casa e no domingo após o café arrumamos as malas e viemos”. A filha do casal, Iraneide, mostrou as dependências do apartamento de três quartos e sala ampla. “Não despencou nada, os cristais da minha mãe ficaram intactos assim como os espelhos, as plantas, os lustres, não apareceu uma rachadura nem fissura, a escada de incêndio por onde saímos também ficou intacta”.
O CPC Renato Chaves apresentou um laudo comprovando que a estrutura permanece segura, mas os moradores querem a perícia complementar que deve ser entregue ao promotor de direitos do consumidor do MPE, Marco Aurélio, até segunda-feira. (Diário do Pará)
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