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Cinto no banco de trás na mira da fiscalização

Quarta-Feira, 23/02/2011, 03:32:14

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Cinto no banco de trás na mira da fiscalização (Foto: Mauro Ângelo)

No táxi, passageiros são orientados a colocar o cinto (Foto: Mauro Ângelo)

A cobrança do uso do cinto de segurança no banco de trás do carro está sendo intensificada pelos órgãos de trânsito do Pará. Desde 1997 que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) em seu artigo 167 estabelece que o uso do cinto de segurança é obrigatório para condutores e passageiros em todas as vias do país. Ainda assim, o uso do cinto no banco traseiro sempre foi uma regra relaxada tanto pelos passageiros, quanto pela fiscalização.

Este cenário parece ter começado a mudar. O Departamento Estadual de Trânsito do Pará (Detran/PA), com o apoio da Polícia Militar e Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel), tem realizado cerca de 15 blitze por dia em vários pontos da cidade. “Durante essas blitze, nós verificamos a questão da documentação do veículo, condições de trafegabilidade, uso do cinto de segurança de todos os passageiros, testes de bafômetro e uso da cadeirinha”, explicou o coordenador de Operações do Detran, Valter Aragão.

Ele disse que não há uma operação específica para o uso do cinto de segurança no banco de trás, porém, os condutores que são parados, são orientados a colocar o cinto. “Estamos priorizando a orientação, mas em alguns casos, nós autuamos, até porque está no código. É uma lei, deve ser cumprida e vamos começar a cobrar cada vez mais”.

O coordenador admitiu que, antes, a cobrança do uso do cinto no banco de trás pelos órgãos fiscalizadores quase não existia. Segundo ele, criou-se essa cultura de que só os condutores que não estivessem usando o cinto de segurança na frente seriam multados. “Intensificamos essa fiscalização desde 2008 e agora, com a questão do uso da cadeirinha, vamos intensificar e cobrar ainda mais. Não adianta cobrar só a cadeirinha e não cobrar o cinto. Seria incoerente”.

O diretor de trânsito da CTBel, Elias Jardim, afirmou que os órgãos fiscalizadores contribuíram para que o condutor se acostumasse a não usar o cinto. “Nós temos uma dificuldade em autuar esses condutores porque muitos veículos têm película e nós só podemos autuar aquilo que podemos ver, ou seja, aquilo que temos certeza”. Mesmo assim o diretor enfatizou que a CTBel também já está sendo mais rígida quanto essa questão. “O condutor que for pego com os passageiros do veículo sem o cinto no banco de trás, será multado”.

Ontem (22), o DIÁRIO acompanhou uma blitz realizada pelo Detran na avenida Bernardo Sayão. Muitos condutores que foram parados não estavam utilizando o cinto de trás. “Estamos primeiro orientando e reforçando a importância do uso do cinto para esses condutores. Vamos dar uma espécie de segunda chance a eles”, disse a agente de trânsito responsável pela operação, Roberta Silva.

O taxista Mauro Aguiar, parado na blitz, estava cumprindo a lei. Os três passageiros que estavam no banco de trás do carro dele, um adulto e duas crianças, estavam devidamente seguros. “Eu sempre peço para meus clientes colocarem o cinto. Não só com medo de ser multado, mas também para proteger a vida deles”.

SALVAR VIDAS

Uma pesquisa realizada no ano passado, pela Rede Sarah de Hospitais de Aparelho Locomotor, mostrou que sete de cada dez pessoas que chegam aos Hospitais Sarah e viajavam no banco traseiro sem cinto de segurança sofreram lesão medular grave no acidente em que foram vítimas.

Segundo a pesquisa, 100% dos entrevistados afirmaram que sempre usam o cinto de segurança como condutor, 96% como passageiro e 99% exigem o uso quando transportam passageiros. O jornalista Ismael Machado faz parte dessas estatísticas. Durante uma viagem, o carro em que ele estava capotou três vezes e ainda bateu em uma árvore. Ismael contou que só foi salvo porque estava com o cinto. “Se eu tivesse sem o cinto, seria cuspido e o carro ainda poderia ter passado por cima de mim. Sempre fiz questão de usar o cinto, desde o acidente passei a dar ainda mais importância. Foi graças a ele que eu nasci de novo”. (Diário do Pará)

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