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Perfil desolador das ilhas de Belém

Segunda-Feira, 21/02/2011, 02:38:28
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Perfil desolador das ilhas de Belém (Foto: Thiago Araújo)

(Foto: Thiago Araújo)

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Belém possui 2.100.319 habitantes. Mas uma pesquisa realizada por alunos do Instituto Federal do Pará (IFPA) revela que esse número pode ser maior. É que a população das 39 ilhas do entorno da capital não entra na contagem do contingente populacional do município, logo, os moradores são excluídos de serviços como educação e saúde.

A pesquisa foi realizada pelas alunas do curso de Gestão de Saúde Pública do IFPA, Alline Freitas e Gerciene Lobato. O trabalho foi orientado pela coordenadora do curso, Maria Helena Cunha, com contribuições da membro do departamento de epidemiologia da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), Liduina Trindade.

O projeto teve como objetivo fazer uma análise do perfil demográfico, habitacional e educacional das ilhas de Belém, especialmente da ilha de Jutuba, que se enquadra como um espaço com condições de vida desfavoráveis. A região é marcada pelo saneamento precário, falta de assistência integral de saúde, ausência de água potável, escolas com nível educacional inferior ao ensino fundamental e presença de casas com poucos cômodos, mas que abrigam um grande número de pessoas. A comunidade também não possui uma fonte de renda.

Com a pesquisa, as alunas perceberam que as políticas públicas voltadas para a comunidade ribeirinha são poucas. “Há apenas programas de compensação social como o Saúde da Família”, dizem. O programa é o mesmo que atende no meio urbano e, segundo as alunas, isso consiste numa falha do serviço de saúde, pois os ribeirinhos têm características peculiares.

As alunas explicam que os problemas da população da ilha não se restringem a doenças, mas também aos aspectos demográficos, habitacionais e educacionais. Daí a importância de se ter políticas públicas eficientes que contemplem as necessidades dessa população. O IFPA já realiza um projeto de intervenção em saúde em parceria com a Cáritas Metropolitana de Belém (Camebe), mas Alline e Gerciene lembram que também é preciso levar educação de qualidade, proporcionar saneamento ambiental, condições de moradia, água de qualidade, infraestrutura básica para acesso às residências e assistência integral à saúde.

SAÚDE

Por não se sentirem assistidas, as pessoas procuram por atendimento na Ilha de Cotijuba ou em Icoaraci, distrito de Belém. Alline explica que quem busca atendimento em Cotijuba reclama dos dias pré-estabelecidos para consulta, como se tivessem dia para adoecer. “Como a localidade não dispõe dos serviços, nós procuramos desenvolver tecnologias alternativas, como a de abastecimento de água, que possam contemplar critérios de sustentabilidade, viabilidade técnica e econômica e adaptabilidade às particularidades locais, inclusive aquelas ligadas às tradições culturais que marcam a comunidade”.

No que tange à educação, as pesquisadoras identificaram apenas duas escolas com ensino fundamental e uma delas é da Igreja Católica. Quanto ao aspecto demográfico, a pesquisa revela que há um contingente populacional considerável, com a presença maciça de homens de baixa escolaridade e pequena compensação financeira. No aspecto habitação, somente algumas casas foram beneficiadas pelo projeto Sodis, implantado pela Cáritas, e, ainda assim, segundo as alunas, os moradores reclamam, pois o abastecimento de água depende da chuva. “Quando não chove, eles precisam buscar água na torneira pública de Cotijuba”, contam. Eles ainda têm de enfrentar as dificuldades para armazenar e transportar a água nas embarcações.

Eventualmente também há na localidade projetos da Sespa, de serviços como atendimento médico, odontológico e oftalmológico, exames e emissão de carteiras de identidade e de trabalho, além de atividades de combate ao escalpelamento, estímulo à leitura e o cultivo de plantas medicinais. A Pastoral da Criança faz o acompanhamento das crianças e auxilia as mães a evitarem doenças como desnutrição e anemia. “O problema é que essas ações não são permanentes”, lembra a orientadora Helena Cunha.

O trabalho vem sendo desenvolvido desde 2008. Hoje, além da Ilha de Jutuba, também foram analisadas as ilhas Nova e Urubuoca. Para a coleta de informações realizou-se pesquisa de campo utilizando entrevistas e um questionário com perguntas específicas aos moradores. (Diário do Pará)

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