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José do Nascimento teme pelos netos que utilizam o posto de saúde (Foto: Mauro Ângelo)
“É um descuido muito grande”. É assim que o aposentado José do Nascimento resume o caso de abuso sexual contra um adolescente que teria acontecido dentro da Unidade Municipal de Saúde do Bengui II, em agosto do ano passado, e que ainda está sob investigação da Polícia Civil. Ele, que foi na manhã de ontem receber atendimento no posto, se mostrou preocupado com a possibilidade do crime ter acontecido no local.
“Como é que se pode fazer uma coisa dessas dentro de uma unidade de saúde? Assim como aconteceu com o garoto, pode acontecer com os meus netos”, preocupa-se.
O acusado de ter cometido o abuso é identificado apenas por Olival e, segundo informou à imprensa o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), trabalhava como agente ou auxiliar administrativo na unidade. Ele é acusado de ter abusado de um menino de 14 anos quando o mesmo foi até à unidade desacompanhado para marcar uma consulta com um oftalmologista para a tia. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), o funcionário foi afastado do trabalho até a conclusão do inquérito policial.
A indignação do pintor Aroldo Freitas é maior pelo caso ter acontecido dentro de um órgão público. “Já acontece tanta violência por aí e ainda temos que ver acontecer uma coisa dessas dentro de um órgão público”.
Ele afirma que não se sente seguro em receber atendimento na unidade. “Isso é muito ruim para a sociedade, não temos mais confiança em nada. A gente vem atrás de um benefício e tem que conviver com essas situações”.
Mesmo que o caso ainda não tenha sido confirmado, a dúvida preocupa a agente de negócios Sandra Miranda. “É uma situação constrangedora. A sociedade tem mais é que ficar com medo”. Ela, que foi ontem até o posto de saúde receber o resultado de um exame feito pela sua mãe, diz que vai ficar mais atenta quando for até o local. “Eu nem deixei a minha mãe vir sozinha pegar esse exame, eu é que vim por ela”, conta. “Infelizmente não temos outro lugar para ir, temos que vir aqui mesmo”.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Médicos do Estado do Pará (Sindmepa), Wilson Machado, existem procedimentos criados para evitar abusos vindos de profissionais de saúde. “É recomendável que o paciente não seja atendido sozinho, é sempre bom que alguém vá com ele”, explica. “Se esse abuso aconteceu, é porque algum protocolo de atendimento deixou de ser cumprido”.
É por ter conhecimento desse procedimento que o operador de telecomunicações, Idogimar da Silva, sempre acompanha seus netos nas consultas que precisam fazer. “Ninguém mais é confiável. Antes era até possível você confiar em algumas pessoas, mas hoje não dá mais. A gente vê tanta notícia ruim sobre isso”, afirma ele que costuma levar os netos de dez e cinco anos para receber atendimento na Unidade do Bengui. “A gente sempre acompanha eles (netos) nas consultas. A preocupação é em todos os lugares”.
Assim como ele, a dona de casa Vânia do Socorro, que levou o filho de oito anos na manhã de ontem para se consultar, também toma esse cuidado. “A gente sempre fica preocupado quando fica sabendo dessas coisas. A gente só vem aqui (na Unidade de Saúde do Bengui) quando é muito necessário e eu sempre acompanho ele”, afirma. (Diário do Pará)
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