(Foto: Diário do Pará)
Anima, palavra de origem latina, designa “alma”, aquilo que é o princípio, que dá movimento ao que é vivo. É o feminino, em essência. Como mostra de seu mistério, força e pluralidade, costuram-se os olhares de artistas paraenses na exposição “Anima”, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que entra nesta quarta-feira (16) em cartaz na Galeria Theodoro Braga, do Centur.
Fotografia, vídeo-instalação, grafitagem e desenho pelas mãos de oito mulheres de diferentes gerações. “Toda a minha produção é pautada na mulher. Na exposição, exploro o figurativo do corselet, símbolo de vaidade. É uma armadura, mas também é sedução. É sacrifício, e é erótico. Guarda os seios, o ventre, as curvas. É um elemento do universo íntimo da mulher, da prostituta, do travesti”, diz Elieni Tenório, artista plástica que há mais de 20 anos se dedica a pesquisas sobre o universo feminino, e que integra a exposição com três telas abstratas em stencil.
De tão inspirador e complexo, o feminino é capaz de criar um mundo particular, como mostra a vídeo-instalação “Carta para Alice”, de Maria Christina. A partir de fotos de quatro localidades do interior paraense (Afuá, Santana do Araguaia, Faro e Viseu), a artista criou “Alice”, cidade imaginária, cheia de flores e crianças felizes, e que busca, pela beleza, aprisionar os olhos de quem a vê.
“A cidade é um desejo de fuga, aquele desejo que sentimos quando temos vontade de sair correndo para algum lugar, e não sabemos pra onde. É inspirado na simbologia de ‘Alice no País das Maravilhas’. Um lugar irreal, fantástico, que passa ao largo do que se pode prever”, explica Maria Christina, que pela primeira vez abre o projeto finalizado ao público.
“Alice é fértil, cercada por água, e há sempre um único caminho de entrada, que some ao se passar por ele, então é preciso procurar outro meio de sair. É uma cidade estranha e encantadora”, conclui a fotógrafa sobre o vídeo de quatro minutos, seu mais recente trabalho, realizado no ano passado, em parceria com Afonso Galindo.
Outros nomes de longa estrada participam da mostra. Berna Reale expõe as fotografias “Entretantos améns”, que discursam sobre a impotência diante de fatos cotidianos como a violência e a brutalidade, fotografando-se amarrada, esperando ser levada pela maré.
CONTRAPONTO
Jovens artistas também exibem suas versões deste rico universo. Ana Flor, 23 anos, se volta para a própria identidade ao vasculhar o tema. “Deusa Mãe a Deus” é um relicário particular.
“São fotos minhas, da minha mãe e da minha avó. O trabalho retrata as gerações de mulheres na minha família, onde a presença feminina é bem forte. A minha bisavó criou sozinha a minha avó. A minha avó cuidou dos filhos nas mesmas condições, porque o pai não os assumiu. É uma história matriarcal”, diz a fotógrafa.
A grafiteira Drika Chagas pluraliza ainda mais a mostra. Usando madeiras recolhidas nas ruas da cidade como suporte para suas tintas, a jovem artista de 25 anos compôs o trabalho elaborado especialmente para a exposição.
“Pensei imediatamente em algo que trouxesse a simplicidade do universo feminino, a imagem da mulher do interior, sem artifícios, na rotina árida, humilde”, explica.
“Anima” conta ainda com obras de Luciana Magno, Pamela Massoud e Luiza Cavalcante.
VISITE
Exposição “Anima”. Abertura no dia 16 de fevereiro, na Galeria Theodoro Braga, do Centur. Visitação até 11 de março, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. A entrada é franca. Informações: 3202 – 4313.
(Diário do Pará)
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