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Na Pedreira, um trio elétrico arrastou uma multidão de foliões (Foto: Everaldo Nascimento)
O tradicional carnaval que estava sendo realizado todos os domingos na Praça do Carmo, na Cidade Velha, em Belém, foi embargado.
Na tarde de ontem, homens das polícias Civil e Militar, com o apoio da Delegacia do Meio Ambiente (Dema), Secretaria Municipal de Economia (Secon), Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), entre outros órgãos, foram até a praça, por volta das 16h, e impediram que a festa, que estava marcada para acontecer às 17h, começasse.
Muitas pessoas já estavam no local desde cedo, aguardando pela festa. Ambulantes também já estavam posicionados para começarem as vendas. “Eles chegaram aqui cancelando tudo, dizendo que não ia acontecer mais nada e que todo mundo ia ter que sair, foi um verdadeiro absurdo”, disse a professora Marlene Soares, que foi até o local para acompanhar o evento.
Segundo o presidente da Associação das Fanfarras da Cidade Velha (Asfavelha), André Lobato, o kaveira, a proibição teria partido de uma decisão de vários órgãos, que avaliaram o evento como inviável por ocorrer a menos de 200 metros de um templo religioso (a igreja do Carmo). “Consideramos esse ato abusivo. O que estamos fazendo é uma manifestação cultural, e não uma bagunça”, ressaltou. Ele disse ainda que irá ingressar com um mandato de segurança para garantir que a festa possa continuar na praça. “Temos todas as licenças, todas as autorizações para que a festa aconteça aqui na praça”, enfatizou.
A assessoria de comunicação da Polícia Militar informou que a atitude de proibir o carnaval na Praça do Carmo foi reflexo de uma série de descumprimentos pelos organizadores do evento. “Eles já haviam sido avisados que não podiam fazer a festa a 200 metros da igreja. Além disso, teriam que cumprir medidas de segurança e limpeza, o que não foi feito. Muitos moradores da Cidade Velha também fizeram um abaixo-assinado pedindo o fim do carnaval”, informou a assessoria da PM.
Eloi Iglesias, um dos organizadores do evento, também ficou revoltado com a proibição. “O evento não era ilegal. Tínhamos autorização para realizá-lo e acontece essa proibição”.
Em protesto, a banda de Eloi deixou a Praça do Carmo no trio elétrico, tocando a “Marcha Fúnebre”, e seguida por várias pessoas que foram ao local para participar da festa. “Vamos para a praça Dom Pedro, para unirmos força com a sociedade e impedir a proibição dessa festa que já faz parte da cultura paraense”, explicou.
Com o veto à festa, os foliões seguiram para a praça Dom Pedro, outro ponto do carnaval da Cidade Velha, onde a folia continuou e arrastou uma verdadeira multidão.
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