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Pais dormem na fila para garantir vaga

Segunda-Feira, 07/02/2011, 03:38:06

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Desde sexta-feira passada, cerca de 70 mães e pais de estudantes estão dormindo na portaria da Escola Bosque, localizada na ilha de Caratateua, no distrito de Outeiro. O sacrifício é para conseguir uma vaga para seus filhos. O edital com a convocação para o início das matrículas foi divulgado na manhã de sexta-feira, porém, a matrícula só começa a ser efetivada hoje (7).

Com medo de não conseguir garantir uma vaga, muita gente preferiu ir para a frente da escola esperar. Em um espaço apertado, mães, pais e filhos se ajeitam do jeito que dá. “Trouxemos colchões, cadeiras e redes. A diretoria deixou que nós ficássemos no pátio da escola, pelo menos assim não pegamos chuva”, disse a dona de casa Márcia Andrade, que está tentando duas vagas para seus filhos.

Muitas mães fizeram esforços ainda maiores. “Tem mãe que trouxe o filho recém-nascido, tem mãe que está de resguardo, tem mãe que está doente. Mas fazer o quê? Se não for isso, não tem educação para meus filhos”, contou a doméstica Ana Lúcia Souza.

Mesmo com uma grande quantidade de mulheres na porta da escola, havia a presença de alguns homens. “Acho que o papel do pai também é lutar pela educação de seu filho. Deixei minha mulher em casa e disse que eu iria correr atrás de colégios para as crianças”, ressaltou o pedreiro Manoel Farias.

A ansiedade para conseguir uma vaga na Escola Bosque tem uma justificativa. “Essa é a melhor escola de Outeiro e, pelo que eu sei, também de Belém. Além da educação de qualidade, a escola oferece um espaço maravilhoso para as crianças”, concluiu Jaciara Braga, uma das mães.

O que preocupa os responsáveis é que a situação de ter que dormir na fila para conseguir uma vaga se torne uma tradição. “Já é o segundo ano que tenho que dormir na fila para garantir uma vaga. Acho que a escola poderia se organizar melhor para resolver essa situação. Isso não pode se tornar uma coisa comum, até porque a educação é um direito nosso como cidadão”, disse Edílson Francisco Silva.

A Secretaria Municipal de Educação foi procurada pela reportagem, porém, em decorrência do final de semana, ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto. (Diário do Pará)

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