(Foto: Reprodução)
Não é bloqueando o acesso que se consegue controlar a onda que a internet provoca contra ou favor de um governo. Os usuários sempre arranjarão uma forma de estabelecer comunicação entre si e com o mundo exterior. Ela já fez o que devia, provocar o entendimento de que a comunicação é essencial para o desenvolvimento de uma sociedade.
Essa afirmação anda fazendo os grandes líderes mundiais de governos ditatoriais e democráticos repensarem suas políticas frente aos meios digitais e/ou as grandes redes de comunicação. Até mesmo a China está revendo seus conceitos sobre seus bloqueios e agora começa a abrir um pouco de sua cultura para o mundo.
A introdução é grande, mas é válida para entender o real sentido do fato do governo egípcio ter restabelecido, hoje, as conexões dos serviços de internet do país.
A informação vem ganhando repercussão dentro das redes sociais, através dos próprios egípcios que postam mensagens no Facebook e no Twitter. Páginas que eram hospedadas em servidores no país também estão voltando ao ar e retomando suas atividades normais na web.
A conexão estava suspensa desde a última semana, após uma onda de protestos contra o presidente Mubrak. A movimentação teria sido organizada através da internet e conseguiu mobilizar cerca de 1milhão de pessoas que pediam a renúncia do presidente que está há mais de 30 anos no poder.
APOIO EXTERNO
Algumas iniciativas foram essenciais para a manutenção dessa mobilização, mas nada diferiu das inúmeras tecnologias de comunicação desenvolvida no decorrer dos anos. Se a internet estava bloqueada, manifestantes passaram a usar SMS, celular, fax, conexão dial-up e tudo o mais o que fosse possível para a derrubada do que o povo considera maléfico para o seu país.
O maior apoio que o Egito chegou a receber quanto a divulgação de informações de dentro do país foi a parceria entra o Google, Twitter e SayNow que disponibilizou um número para as pessoas ligarem e gravarem sua mensagem de voz que era automaticamente revertida em um tweet, com a hashtag #egypt.
Apenas nas primeiras horas, mais de 60 tweets foram criados denunciando irregularidades e outras ações praticadas pelo governo, além de mensagens para outros manifestantes.
A RESPOSTA
Toda a questão perpassa a real função da internet e as várias vias que ela possibilita tanto a favor dos manifestantes, quando a favor do próprio governo. Diferentemente da TV e do Rádio, a internet ainda não possibilita o controle total por se tratar de um espaço sem limites virtuais por isso representa um risco para ambas as partes.
Da mesma forma que manifestantes tentavam derrubar governos, o governo ia em busca de manifestantes no Facebook, no Twitter e em blogs, faziam reconhecimento de pessoas através da face-recognition das redes e descobriam planos sem precisar de grandes arquiteturas de espionagem.
Longe das teorias conspiratórias, para um governo ditatorial em crise ou que pretende se manter no poder desbloquear uma das principais armas contra o seu status quo é talvez o maior sinal de que enxergamos a rede de forma limitada e que ela pode ter um poder muito maior que ainda não entendemos, mas que o governo já entendeu.
Mas não é pra ficar com medo, pois a principal lição já adquirimos: precisamos nos comunicar se quisermos melhorar as coisas. (Yggor Araújo/DOL)
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