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Escola Piratas da Batucada homenageia a Praça Waldemar Henrique (Foto: Marco Santos)
Serve de passagem para a fé de milhares de devotos que se amontoam em homenagem a Nossa Senhora no Círio, e também de palco para as plumas e paetês da Parada Gay. Cenário ainda para as inúmeras cores do Pássaro Junino, danças de quadrilhas, o batuque do Arraial do Pavulagem e para a graça dos brinquedos de miriti da Feira de Artesanato. Mais do que um espaço público, a Praça Waldemar Henrique é personagem da cultura popular paraense.
“Ela recebe diversas manifestações, de todo tipo, de forma generosa. É mais que justo prestar essa homenagem”, diz Ricardo Fernandes, presidente da Escola de Samba Piratas da Batucada, que no dia 5 de março vai levar toda a pluralidade da Praça Waldemar Henrique para a avenida do carnaval.
Atualmente batizada com o nome de um dos mais célebres artistas da terra, o local, que já foi “Praça Kennedy”, rememora o legado do maestro e compositor que misturou o erudito aos sons da cultura cabocla. “As linhas sinuosas do palco, inspiradas no piano de cauda que o maestro tocava; e as notas musicais, que ilustram as composições de Waldemar e que são parte da arquitetura da praça, serão levados para a avenida”, explica Ana Vanilda, que integra a comissão carnavalesca da agremiação ao lado de José Barradas, Bené Brito, Janildo, Ruy e Cristiano Radan.
Cerca de 1.500 brincantes cantarão as tantas festas que compõe a história da praça em treze alas. O samba-enredo, que irá defender o quarto ano de participação da escola no grupo especial, é assinado por Moacyr e Bosco Guimarães, .
Mas garantir toda a magia da festa não vai ser uma tarefa assim tão fácil. Com um orçamento inicial de R$ 250 mil, e diante da atual crise orçamentária do carnaval belenense, a alternativa foi pechinchar. “Cortamos daqui, dali, e agora o desfile deve sair por R$ 180 mil, no máximo R$ 200 mil”, diz Fernandes. Mas nada que desanime os foliões. “Eu sou um dos fundadores da escola. E mesmo ano passado, quando fomos os mais prejudicados porque faltou luz na hora do nosso desfile, ainda assim está todo mundo se empenhando para levar nossa escola para a rua”, garante.
Piratas que só querem fazer o bem
Com 37 anos de trajetória, o Piratas da Batucada já navegou por vários mares: nasceu em 1974 no bairro do Reduto, como bloco de carnaval; depois mudou a sede para a Cremação, onde, em 1997, se tornou agremiação. Há seis anos no bairro da Pedreira, os piratas garantem que já ganharam o coração dos moradores. E não é para menos.
“Mais do que festa, o nosso carnaval oferece novas possibilidades para as crianças da comunidade, e afasta a gurizada do crime e da violência”, diz Ricardo Fernandes, se referindo ao Ponto de Cultura “Piratas do Amanhã”, que há um ano atende cerca de 500 crianças e adolescentes na Pedreira.
“No primeiro semestre, nos dedicamos a apoiar grupos parafolclóricos: quadrilha e pássaros juninos. Daí a importância de valorizar a Praça Waldemar Henrique como espaço de realização de tudo isso, que significa muito para esses jovens e para nós, que trabalhamos com cultura”, explica.
Além da parceria com grupos de dança, várias atividades são oferecidas pelo projeto. “Eles aprendem tudo o que compõe a festa: oficina de costura, de musicalização e muitas outras coisas”, diz Fernandes, referindo-se aos cursos de capoeira, violão, balé e ginástica rítmica, que também atende a senhoras da melhor idade. “O nosso curso de informática ficou um tempo parado, mas vamos retomá-lo logo após o carnaval, em parceria com o Navega Pará”, anuncia Fernandes, que comemora, orgulhoso, o recém-inaugurado estúdio de gravação do grupo. “Gravamos aqui o nosso samba-enredo deste ano, com a participação de várias pessoas da comunidade no vocal”. Diante de tantos bons frutos, e pelo sorriso de satisfação do carnavalesco e dos foliões que formam o Piratas da Batucada, os próprios já se declararam vencedores antes mesmo de entrar na avenida. (Diário do Pará)
Samba-enredo
Autoria: Moacyr e Bosco Guimarães
Ao som do piano de Waldemar
Piratas faz a aldeia sambar
Vamos cantar a praça é nossa
Com a força da cultura popular
Vento soprou do Guajará
As bênçãos do criador
Beijou as docas do Pará
A arte que ao maestro inspirou
Em tempos idos Praça Kennedy
Hoje Waldemar Henrique
Congregação dos paraenses
Cardumes de eventos triunfais
Jardim de rimas e versos
Semeado com notas musicais.
Tem feira do miriti
Fogos à Padroeira
Folclore nossa identidade
Simplesmente alegrando a cidade
Vou no Arraial do Pavulagem
Parada gay, belas imagens
Numa empolgação alucinante
Quadrilhas juninas
Vem na garra dos seus brincantes
Ô piratas da batucada meu grande amor
A bateria que contagia
Gira baiana, mostra seu valor
Pássaros, toadas e carimbó
A culinária tem sabor peculiar
A lua faz seresta pra constelação
De artistas aflorando a emoção
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