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Stimcba-PA denuncia irregularidades em obra

Segunda-Feira, 31/01/2011, 03:20:26

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Stimcba-PA denuncia irregularidades em obra (Foto: Diário do Pará)

Segundo Cleber Rabelo, não atentar às regras de segurança é comum (Foto: Diário do Pará)

Hoje (31), às 9h, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário de Belém e Ananindeua conta com seus associados (cerca de 8 mil) para participar de assembleia, na sua sede, e depois seguir em passeata pela cidade. Na pauta das discussões estão obras com irregularidades na segurança do trabalho, pois só este ano, foram dois operários mortos e um ferido em obras de construção em Belém.

A passeata acontece na sequência para pedir por mais fiscalização de órgãos como o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea/PA) e a Secretaria de Urbanismo de Belém (Seurb), para que mais fatalidades não aconteçam como no episódio do Real Class, cujo desabamento deixou dois operários desaparecidos, além de uma mulher que morava nos arredores do prédio que teve seu corpo encontrado nos escombros.

“7 horas da manhã abria a obra, mas o operário não tinha direito a quinze minutos de tolerância de atraso, então chegava lá para trabalhar e não tinha mais café, tinha que voltar pra casa sem poder trabalhar, e ainda levava dois a três dias de suspensão”, informou Cleber Rabelo, diretor do Stimcba-PA. De acordo com ele, esta seria a maneira com que a Real Engenharia estaria tratando seus operários.

No caso dos sete operários que trabalhavam no sábado no Real Class, há um claro desrespeito aos acordos trabalhistas firmados, segundo o Sticmba. “Organizam uma lista com quem deve vir trabalhar, assim eles trabalham mais e a um custo cada vez menor”. Cleber afirmou que os operários não observaram rachaduras nem fissuras na estrutura do prédio, então acreditam que tenha acontecido uma falha técnica, algo no processo de fundação que não foi adequado ao solo, e por isso não sustentou a carga diante da quantidade de lajes que tinha e o prédio veio abaixo.

IRREGULARIDADES

Mas não existia um parecer técnico nem o sindicato podia fazer pedido de embargo a obra. “Isso o Crea tinha que ter observado, essas prováveis irregularidades. Soubemos que dez moradores das redondezas do prédio denunciaram vários problemas e a Justiça exigiu a fiscalização do Crea para verificar a capacidade de sustentação das vigas do prédio e ela foi feita, mas como há um protecionismo muito grande por parte do órgão, não sabemos que encaminhamentos foram dados”, explicou.

“125 operários trabalhavam na obra do Real Class e a maior parte do prédio estava acabada, isso se tratando da construção de um prédio de 32 andares em pouco mais de dois anos. O ritmo era puxado e isso prejudica a qualidade da obra, a segurança dos operários e é claro, a das pessoas que iram morar no prédio”, lembrou o diretor do sindicato.

Cleber lembrou que, por conta disso, não se mede o número e a distância entre os ferros que dão sustentação ao prédio, não se dá tempo para o concreto ‘curar’, para evitar que a água de amassamento evapore, pois se o concreto não estiver hidratado, ele ‘estala’ e pode rachar. (Diário do Pará)

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