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Avenida Magalhães Barata liga centro e periferia

Sexta-Feira, 28/01/2011, 08:25:55

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Avenida Magalhães Barata liga centro e periferia (Foto: Reprodução)

No século XIX, famílias abastadas de Belém construiam casas de campo (Foto: Reprodução)

Tradicional via de acesso entre o centro da cidade e a periferia, a Magalhães Barata, alvo da homenagem de hoje, dentro da série ‘Diário Documento Belém 395 anos’, traz consigo a história de uma avenida que antes era de terra e servia de casa de campo para os moradores ricos do bairro da Cidade Velha.

Com o tempo, ganhou nobreza e se tornou um dos pontos mais benquistos de Belém, inspiração para diversos artistas locais e até internacionais.

Por debaixo das suas mangueiras também passa a procissão mais relevante da cidade, o Círio de Nazaré. Aliás, é nas proximidades desta via que a honrada imagem de Nossa Senhora foi achada às margens de um igarapé, onde hoje está localizada a travessa 14 de Março e construída a Basílica Santuário de Nazaré.

É marcada, ainda, por ter sido a morada, nos tempos coloniais, do mulato Plácido, devoto de Nossa Senhora de Nazaré e iniciador do Círio.

Antes de Magalhães Barata (nome dado em homenagem a um dos mais populares políticos do Pará no século XX), de acordo com o livro ‘Ruas de Belém’, de Ernesto Cruz, a avenida teve as seguintes denominações: Estrada do Utinga – por ser o caminho de um engenho de nome homônimo –; Avenida da Independência e depois Cipriano Santos, em homenagem ao ilustre político paraense e diretor da antiga “Folha do Norte”.

Em outros séculos, a atual Magalhães Barata era responsável pela união entre a antiga Estrada de Nazaré e a Estrada de São Brás.

“Servia como um elo de ligação com os limites, pois São Brás era o ponto de abastecimento da cidade, além de ser o início da estrada de ferro”, contou o doutor em história e professor da Universidade Federal do Pará, Aldrin Figueiredo.

Avenida abrigou casas de campo dos ricos de outrora

No século XIX, muitas famílias tinham verdadeiras casas de campo no local. “As pessoas que moravam na Cidade Velha e tinham mais posses faziam as suas rocinhas onde hoje é a avenida, para passar as férias”, explicou o professor. Só após a reforma de 1897, realizada por Antônio Lemos, é que a via deixou de ser de terra e passou por um processo de urbanização, ficando repleta de paralelepípedos. Ela se modernizou ainda mais no início do século XX, quando os bondes elétricos começaram a passar por lá.

Durante esse período, a avenida já era referência até para a arte, a exemplo do quadro pintado em aquarela pelo artista belga Georges Wambach, nos anos 30, que hoje pertence ao Museu de Artes de Belém. “Hoje a via continua sendo importante ligação com a Avenida Almirante Barroso, principal via de entrada e saída da cidade. O que nós perdemos, de fato, foi a relevância de se chegar ao Mercado de São Brás, que deixou de ter a função de mercado que antes tinha”, disse Aldrin Figueiredo. (Diário do Pará)

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