O Pará ocupa o 5° lugar do ranking nacional (Foto: Rogério Uchôa)
A doença conhecida por muitos como “a mais antiga do mundo” – existem registros de que venha afetando a humanidade há 4 mil anos – mudou de cara e de atitude. As pessoas com hanseníase não sofrem mais preconceito e quase todas ficam curadas ou não podem transmitir a doença. Mas um problema persiste: a falta de informação, e para combatê-la será lançada no domingo, 30 – Dia Mundial de Combate à Hanseníase - a campanha estadual de controle do mal.
Domingo, a partir das 9h, na Praça da República, a Campanha Estadual de Controle da Hanseníase realiza uma grande ação de esclarecimento sobre a doença e seus sintomas, contando com a distribuição de planfletos, folders, dramatização, através da parceria com equipes de saúde dos municípios, a sociedade brasileira de dermatologia, a Rádio Margarida e a AIFO, ong italiana que trata dos hansenianos em diversos países. Uma equipe da Sesma estará a disposição para detectar novos casos e encaminhar para atendimento especializado.
Causada por um micróbio chamado bacilo de hansen (mycobacterium leprae), que ataca normalmente a pele, os nervos, os olhos e os membros periféricos, a hanseníase é transmitida por pessoa infectada, que libera bacilo no ar e cria a possibilidade de contágio. “Não é uma doença hereditária, mas quando uma pessoa faz o exame de contato e é diagnosticada com hanseníase, toda a família tem que ser examinada”, esclareceu o sociólogo, sanitarista e coordenador estadual de controle da hanseníase, Luiz Augusto Costa de Oliveira.
“O Pará está em 5ª lugar no ranking que aponta os mais altos coeficientes da doença, com 4000 novos casos por ano em média. Em 2009, tivemos 78,8% de pacientes curados. Os dados de 2010 ainda estão sendo calculados, mas é importante reforçar que temos 39% de cobertura para hanseníase através das Unidades de Saúde e do Programa de Saúde da Família – PSFs, contando com 176 profissionais médicos capacitados para prestar atendimento e tratamento aqui no estado”, informou Luiz Augusto.
Levantamento do Ministério da Saúde aponta que houve redução de 27% no total de casos novos de hanseníase, mas o que preocupa Luiz Augusto é o aumento no número de casos novos em adolescentes com menos de 15 anos, que corresponde a 10 % do total: “Crianças que convivem na mesma casa que adultos com hanseníase que as infectaram, os sintomas que não foram detectados nelas ou mesmo a ausência deles, já que o bacilo pode ficar encubado por até 5 anos”.
Geraldo Cascaes, 67 anos, foi contaminado pelo bacilo quando era um menino em Barcarena e surgiram em seu corpo algumas manchas vermelhas. Cerca de dois anos depois, quando já apresentava uma deformação nas mãos caracterizada em forma de garra, ele foi enviado para a Colônia de Hansenianos de Marituba:
“Demorei a ser diagnosticado, tomei medicação e me tratei por 10 anos. Fiquei com outras sequelas além da mão, perdi os dois pés e a sensibilidade em algumas partes, mas me curei. Resolvi continuar morando na colônia com a minha esposa e os meus filhos”, diz ele. (Diário do Pará)
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