(Foto: Thiago Figueiras)
Assim como o açaí, as mangueiras e o carimbó, a água é um dos símbolos mais fortes de Belém. Circundada por rios, a cidade também é tomada pela água quando caem as chuvas. O problema dos alagamentos em Belém é tão grande que ganhou análises detalhadas de especialistas no assunto.
Segundo o engenheiro civil e sanitarista Luis Otávio Pereira, três aspectos são os responsáveis pelo caos que se instala na cidade a cada chuva rotineira. O primeiro está ligado ao clima. Chove em Belém cerca de 3.000 milímetros por ano, 40% deles em apenas quatro meses: de janeiro a abril.
A topografia da região, marcada por locais sensíveis ao acúmulo de água, também influenciam. Aproximadamente 45% de toda a Região Metropolitana de Belém (RMB) é formada por áreas de alagamentos. Além disso, a ocupação desordenada do perímetro urbano só agravou as condições naturais da cidade. “Nos últimos anos muitas áreas que são consideradas de risco tornaram-se moradias”.
Apesar do cenário complexo, o engenheiro garante que há solução. Para isso seriam necessários dois tipos diferentes de investimentos: um direcionado para áreas que já contam com obras de macrodrenagem e sofrem alagamentos esporádicos e outro para espaços onde ainda não existem infraestrutura de saneamento. “Em certos pontos, como o Reduto, Pedreira, Batista Campos e Cidade Velha, foram construídos canais que, com a devida manutenção, são suficientes para conter as chuvas”.
Esta manutenção, entretanto, não deve ser feita apenas antes dos períodos chuvosos, mas sim a cada quatro meses, explica Luis. “Em relação às áreas críticas como Cremação, Guamá e bairros ocupados desordenadamente é preciso construir canais, comportas e reservatórios de água, conhecidos como piscinões, para drenar todo o fluxo de chuva”. Paralelo a isso, ele ratifica a importância de um programa habitacional para que os moradores destas áreas possam ter outras alternativas de moradia.
José Viana, presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Pará, sugere o motivo de algumas obras ainda não apresentarem o resultado esperado. “Não se pode construir um canal sem desobstruir o espaço que vai receber esse fluxo de água”, afirma, se referindo à macrodrenagem na 14 de Março. Reclamação recorrente de moradores, a área tem alagado com mais frenquência e isso se deve ao fato de que os canais que receberiam seu despejo estão entupidos.
Segundo ele, com verbas e vontade política é possível mudar a realidade de Belém. Para ele, a obra mais urgente a ser realizada seria na bacia da Estrada Nova, que vai desde a Cidade Velha até o canal do Tucunduba.
Após analisar de forma técnica todo o cenário, ele lembra de um ponto fundamental: a cooperação da sociedade. “Enquanto as pessoas continuarem jogando lixo nos canais, entupindo bueiros nada mudará. Não adianta apenas cobrar e não fazer a sua parte”. (Diário do Pará)
Veja imagens do alagamento no Jardim Sideral, clicando no ícone abaixo:

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