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Falta tudo na Unidade de Saúde da Terra Firme

Quinta-Feira, 20/01/2011, 06:32:34

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Falta tudo na Unidade de Saúde da Terra Firme (Foto: Paulo Akira)

Falta de remédios e muita gente à espera de médicos, que são poucos (Foto: Paulo Akira)

Medicamentos em falta, poucos médicos para atender a população e muita reclamação. Foi em meio a este cenário de caos que representantes de 14 órgãos que fazem parte da Rede de Controle da Gestão Pública no Estado, incluindo o Ministério Público Federal e Estadual, Auditoria Geral do Município de Belém e Tribunal de Contas dos Municípios, encontraram a Unidade Municipal de Saúde do bairro da Terra Firme.

A unidade foi escolhida, em junho do ano passado, pelo secretário municipal de Saúde, Sérgio Pimentel, para ser a unidade modelo de Atenção Básica. Na época, o secretário firmou um acordo com o MPF se comprometendo a melhorar a situação da unidade com a ampliação do espaço físico, capacitação de funcionários, adequação da escala de médicos, controle do estoque de medicamentos etc.

Dos dez compromissos firmados com o MPF, ficou constatado que nenhum foi cumprido. “Fizemos o acordo no ano passado e o prazo dado para a secretaria se ajustar foi no final do ano passado. Estamos vindo alguns dias depois do prazo estipulado e vimos que a situação continua precária”, ressaltou o procurador da República, Alan Mansur.

O auditor do TCM Alcimar Lobato e o diretor adjunto de Apoio aos Municípios Cleber Mesquita disseram que haverá reflexos na prestação de contas da Sesma.

A visita, que aconteceu na manhã de ontem, pegou muita gente de surpresa. “Não sabíamos que eles vinham. Infelizmente a realidade encontrada hoje não é a melhor. Estamos com medicamento em falta e as obras de ampliação ainda não foram concluídas”, admitiu o gerente da unidade, Marcelo Dias.

Já a coordenadora de Ações de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Odineia Silva, usou como contexto a falta de segurança no bairro para justificar o caos encontrado na unidade de saúde. “Nós tentamos nos ajustar, o problema é que os médicos não querem trabalhar aqui. Não podemos colocar medicamentos na farmácia, porque os bandidos roubam”.

Os argumentos da coordenadora não convenceram o Ministério Público. “O que está acontecendo aqui é um descaso com a comunidade. A questão da segurança é fácil de ser resolvida, basta querer”, enfatizou Ivan Costa, representante do MPE.

RELATÓRIO

O resultado da vistoria feita na unidade de saúde será apresentado na próxima segunda-feira (24), na sede do MPF. “A partir de agora vamos avaliar o que foi cumprido e o que não foi cumprido do acordo. Os resultados podem implicar em decisões judiciais. Ainda é cedo para falar quais seriam essas decisões”, finalizou Mansur.

Quem gostou da visita surpresa foi a população. “Ainda bem que eles vieram. A situação aqui está péssima”, disse a dona de casa Rita de Cássia Soares, que tenta uma consulta para seu filho de três meses com um pediatra desde que ele nasceu. “Nunca consegui”.

Procurada, a assessoria de comunicação da Sesma informou que enviaria nota à redação com o posicionamento do secretário Sérgio Pimentel. Até o final desta edição, foi tentado novamente contato telefônico, sem retorno. (Diário do Pará)

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