(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
No café da manhã com a bancada do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que não pretende disputar as próximas eleições presidenciais. “Se eu quisesse disputar a eleição em 2014, eu teria escolhido um candidato para perder e não para ganhar (em 2010)”, disse. Ele fez o comentário ao ouvir parlamentares petistas pedir sua volta ao Planalto.
Lula orientou a bancada petista a entrar em entendimento com os parlamentares do PMDB para evitar uma “severinada” na disputa pela presidência da Câmara. Os dois partidos negociam uma presidência alternada, sendo os dois primeiros anos do PT e os dois restantes do PMDB. Lula lembrou da derrota do governo, em 2005, quando o deputado Severino Cavalcanti, do PP, representante do baixo clero derrotou os petistas Luiz Eduardo Greenhalgh e Virgílio Guimarães. “É importante que a bancada esteja preparada e unida na disputa da Mesa da Câmara e para enfrentar os desafios”, disse Lula, segundo relato do líder do PT, Fernando Ferro (PE). “É preciso aprender com os erros do passado. Cuidado com a Severinada.”
Emocionado e com a voz embargada, Lula pediu apoio dos deputados e senadores petistas a Dilma. “Na dúvida, tenham lado. Fiquem com ela”, insistiu o presidente, ao lembrar das dificuldades que passou na crise do mensalão, em 2005. “Eu assistia à TV Senado e ficava com pena de mim mesmo. Todo mundo me batia e poucos me defendiam”, disse. “Agora, vocês precisam dar sustentação a Dilma.”
BOQUINHA
No Planalto, longe da conversa com os parlamentares, Lula tem revelado a amigos próximos que está querendo distância dos “chatos” que tentam uma “boquinha” no futuro governo Dilma. Por isso ele pretende tirar três meses de férias da política e não comparecer a eventos de aliados até o final de março, segundo pessoas próximas a ele. Será tempo suficiente para Dilma concluir a lista de nomeações para escalões inferiores e chefias de estatais e autarquias.
Em discursos públicos, Lula tem dito apenas que precisa de “desencarnar” do poder. Nas rodas de conversas no Planalto com assessores diretos, ele tem explicado que está impaciente apenas com os aliados que tentam cavar espaço ou permanecer com cargo em Brasília. “Preciso me desencarnar sim. Vou descansar, pois não quero atender telefone e ouvir o cara dizer: ‘Ô, Lula, ferrou. Estou fora, não querem me colocar no governo’. Não quero ouvir choro”, desabafou o presidente, numa dessas conversas nesta semana. (AE)
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