Para obter mais informações sobre criminosos, a Polícia Militar (PM) vai circular com carros de som no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, pedindo que os moradores denunciem rotas de fuga e esconderijos de armas e drogas. Em mensagens gravadas e panfletos, a população será convocada a “fazer parte das tropas de elite da paz” - uma estratégia de conquista psicológica dos civis, semelhante à que foi adotada pelas tropas de paz no Haiti.
A Polícia Civil localizou ontem nova rota subterrânea usada pelos traficantes para escapar do cerco policial. Os criminosos entraram na rede de galerias por uma caixa coletora na rampa do Largo do Coqueiro e saíram na Rua Arapá, que dá acesso ao Morro do Adeus. De acordo com o agente Marcelo Darze, moradores disseram que pelo menos 50 pessoas usaram a galeria para escapar do cerco, na noite de sábado. Muitos fugiram com armas.
A descoberta das galerias fortalece a tese de que os traficantes usaram a rede de galerias de águas pluviais construídas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para fugir.
Saques
Com medo de ter a casa arrombada, vários moradores do Complexo do Alemão não foram ao trabalho ontem e preferiram ficar em casa de vigília, para esperar possíveis abordagens policiais. Houve queixas de furtos e saques. As revistas eram o assunto do dia nas mesas de bares e restaurantes da região. Segundo os moradores, os policiais estão destruindo portas, fechaduras e portões das residências que querem vasculhar, mas que não há ninguém na hora - e saqueadores acabam furtando objetos, eletrodomésticos e móveis depois.
O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, foi enfático ontem ao falar sobre a punição para desvios de conduta. “O policial militar será colocado para rua com a tropa em forma, ação que há 30 anos não acontece na PM”, declarou. O corregedor-geral, Giuseppe Vitagliano, revelou que 20 agentes do órgão estão circulando em veículos descaracterizados e à paisana para flagrar abusos de policiais civis e militares nas ocupações. “Isto foi previamente planejado. Já esperávamos que abusos ocorressem”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)
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