(Foto: Divulgação)
A violência desmedida que salta nos noticiários, Berna Reale conhece bem. Desde o começo deste ano, a artista plástica trabalha como perita criminal no Centro de Perícias Renato Chaves, convivendo diariamente com cenas de crimes. Ela decidiu prestar concurso para o cargo após trabalhar insistentemente, em suas criações artísticas, com o tema violência – por isso costuma dizer que foi a arte que a levou para a perícia.
Diante de cenas dantescas, a artista, que possui vasta produção de instalações e objetos, decidiu partir para a linguagem performática. Em trabalhos anteriores, ela já havia passado pelo centro de perícias para fazer fotografias de cadáveres. Mas foi preciso tempo para compreender o que poderia ser feito enquanto performance. “Tempo na performance é tudo. A ideia precisa ser assimilada”, avalia Berna.
Questionar o valor da vida e a banalidade dos assassinatos era algo imprescindível. Ela começou então a construir a performance “A sangue frio”, que será apresentada hoje, às 10h, no entorno do Palácio Lauro Sodré, onde funciona o Museu do Estado do Pará (MEP), na Cidade Velha.
Durante a apresentação, que deve durar cerca de duas horas, Berna mostra ao espectador um cenário angustiante: já não bastasse estar usando um vestido confeccionado especialmente para a performance com panos que as famílias ou comunidades costumam cobrir os corpos estirados sobre o chão, ela carrega ainda um colar de quatro metros de comprimento feito de cápsulas de projéteis calibres 32, 38 e 40, comumente encontrados nos cadáveres. A cada 12 minutos, Berna dará uma volta no colar, no próprio pescoço, para simbolizar o intervalo entre cada assassinato, segundo as estatísticas brasileiras. Leia mais no Diário do Pará
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