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Dos clubes fazem parte pessoas que querem dançar, viajar, se divertir (Foto: Diário do Pará)
Iracema Coelho de Moraes tem a resposta na ponta da língua. “O que eu fazia antes? Criava 11 filhos”, diz, enquanto com um lenço enxuga o suor que ameaça borrar levemente a maquiagem em volta dos olhos. Viúva há 12 anos, Iracema desliza pelo salão improvisado no Parque da Paratur, sendo levada suavemente por um rapaz com idade para ser neto dela, mas que ali é um parceiro de dança, da academia frequentada por ela. Iracema tem 75 anos e faz parte de um dos dez clubes existentes no Pará voltados para o que se convencionou chamar de ‘melhor idade’. No último domingo, esses clubes reuniram integrantes para a vigésima edição da Feira do Açaí e da 16ª edição da Feira do Artesanato, organizada pela Associação Brasileira de Clubes da Melhor Idade (ABCMI), uma confraternização onde o que menos importa é a idade.
“Já entramos para o calendário cultural do Estado”, diz a presidente estadual da ABCMI, Alice Conde Pereira, 75 anos. “É o momento em que passamos o dia inteiro com os amigos”, complementa. Amigos que não param de crescer, segundo os dados da própria ABCMI. Os dez clubes já contam com mais de mil associados. São oito clubes em Belém, um em Paragominas e outro em Bragança. Dos clubes fazem parte pessoas que querem dançar, viajar, se divertir. “O que acontecia antes? A pessoa se aposentava, parava e esperava a morte chegar. Esquecemos que todos temos um potencial e que esse potencial não acaba”, diz Alice.
Se Iracema esbanja elegância dançando forrós, boleros e bregas antigos, Delzuite Matos, 77 anos, prefere contabilizar as diversas viagens que fez desde que entrou em um clube da melhor idade, em 1992. “Antes eu só tinha ido a Fortaleza. Agora já fui em quase todo o Brasil”, diz ela, que guarda Salvador na lembrança como uma das melhores cidades que conheceu.
Mãe de sete filhos e com 12 netos, Delzuite só lamenta não poder dançar mais, por conta de uma artrose. Antes brincava até Carnaval. “Eu fui da ala das baianas no Quem São Eles”, lembra.
Para três irmãs, participar do clube traz a possibilidade de mudar rotinas. Francisca Canindé, 73 anos, Terezinha Lobato, 77 e Irene, 85 anos, estão presentes em todos os eventos da ‘turma’. Francisca, por exemplo, já pode se orgulhar de ter conhecido países como Alemanha e França, por conta das excursões organizadas pelos grupos. “É ótimo”.
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