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Quarta-Feira, 19/12/2018 - 09h54

Drama de Chico Buarque e Paulo Pontes ganha montagem da Escola de Teatro da UFPA

Drama de Chico Buarque e Paulo Pontes ganha montagem da Escola de Teatro da UFPA (Foto: Divulgação)
Drama de Chico Buarque e Paulo Pontes ganha montagem da Escola de Teatro da UFPA (Foto: Divulgação)

O famoso espetáculo “Gota D’Água”, drama escrito por Chico Buarque e Paulo Pontes em 1975, ganha uma adaptação paraense que estreia hoje no palco do Teatro Universitário Cláudio Barradas. “Gota D’Água - A Voz que me Resta” reúne um elenco de mais de 20 atores da Escola de Teatro e Dança da UFPA e fica em cartaz até domingo, 23, com duas sessões diárias, às 18h30 e 20h30.

O espetáculo é uma prática de montagem dos alunos dos cursos técnico de Teatro, Figurino Cênico e Cenografia, e é coordenado pelos professores mestres Marluce Oliveira e Paulo Santana. “Vimos na turma que entrou a possibilidade e o potencial de fazer o ‘Gota D’Água’, que é um texto longo. Fizemos algumas adaptações e queríamos voltar a fazer musical, que é uma marca nossa”, disse Marluce Oliveira, que assina a direção e encenação junto com Paulo Santana.

A obra faz a releitura da tragédia grega “Me deia”, de Eurípides, adaptando-a ao contexto social, cultural, ideológico e econômico brasileiro, na cidade do Rio de Janeiro, na década de 1970. Para ele, Chico compôs canções como “Gota D’Água”, “Bem- Querer”e“Basta um Dia”.

A montagem original, que estreou com Bibi Ferreira, teve cenas censuradas pelo regime militar, possui um forte discurso político, mostrando o desespero, a dor, a execução de vingança de uma sociedade que está prestes a transbordar, logo tudo pode acontecer. “Percebemos na leitura do texto o quanto ele é importante por esse momento político que estamos vivendo. A arte é sempre bem-vinda para reflexões”,diz Marluce.

A prática permite aos alunos dos diferentes cursos técnicos dialogarem dentro daquilo que será seu objetivo comum, a cena, e permite a experiência de montar um espetáculo, pois eles participam ativamente de todas as etapas. Neste, além de atuar, também vão cantar e dançar.

“Está sendo uma experiência desafiadora, mas é isso que o teatro é. Os espetáculos que fiz até agora, eu não cantava, está sendo uma experiência rica porque a música te dá uma outra experiência na atuação”, conta Mariane Malato, aluna que faz a personagem Joana, mulher forte que é a representação de um povo sem casa, sem chances esemavozquelhereste.

Mariane Malato também interpreta Zaíra, mais leve e totalmente diferente da Joana. “Com a Joana eu passeio por todas as sensações e volto para outra personagem que é totalmente diferente, é uma energia psicológica muito grande”, diz a atriz.

INOVAÇÃO

A adaptação traz uma proposta dinâmica que foge do clássico teatro de palco italiano, onde há uma quarta parede com o público, sendo um diferencial na apresentação, por criar um jogo entre os diferentes sets e núcleos de personagens que, direta ou indiretamente, dialogam entre si. Já o figurino terá um visual baseado na época em que se passa a dramaturgia, evidenciando as diferenças de classes e a moda hippie, que também predominava nesse período.

“A cada término de curso a escola de teatro lança no mercado 30 novos profissionais, não só como atores, mas cenógrafos e figurinos. É muito importante que eles saiam com essa experiência e formação. Os espetáculos envolvem uma estrutura muito grande, que resulta em produções de qualidade para a cidade e a gente espera que as pessoas prestigiem”, indica Marluce Oliveira.


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