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Sábado, 10/11/2018 - 07h40

Monumentos de Belém são alvos de vandalismo. Governo e Prefeitura nada fazem.

Monumentos de Belém são alvos de vandalismo. Governo e Prefeitura nada fazem. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)
Monumentos de Belém são alvos de vandalismo. Governo e Prefeitura nada fazem. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)

Embora carreguem o título de áreas de lazer, algumas praças - que são pontos turísticos da capital - não oferecem nenhum atrativo aos visitantes. Pelo contrário, o grau de abandono e de deterioração afasta quem procura na capital paraense um local adequado para passear com a família. Em Belém, diversos espaços se encontram nessa situação, a exemplo das praças Floriano Peixoto, que contorna o Mercado de São Brás, a Waldemar Henrique, na Campina, assim como a Praça do Relógio – que em outrora foi cartão-postal do Complexo Ver-o-Peso.

A imagem de Waldemar Henrique divide espaço com pichações e muita sujeira no entorno. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)

O que os locais têm em comum são os monumentos históricos erguidos nesses espaços, alguns deles já não existem mais, o que pode ser observado na Praça Floriano Peixoto, em São Brás. Conforme o DIÁRIO noticiou na edição de ontem, a última estátua de bronze que formava um grupo escultórico com três peças foi furtada na última quinta (8).

As estátuas e monumentos que compõem o Complexo Arquitetônico de São Brás foram inaugurados em 1959 para homenagear o primeiro governador do Pará, Lauro Sodré. No entanto, com o passar dos anos, o local ficou esquecido e hoje nem de longe remete ao motivo para o qual foi projetado. Nem mesmo a escultura que simboliza Lauro Sodré sentado, meditando em frente a um espelho d’água, permaneceu intacta – a obra está tomada por pichações. É um patrimônio histórico que se perde devido à falta de cuidado do poder público. Há ainda outros problemas como buracos no calçamento, muita sujeira, iluminação precária e insegurança. E o turista que visita a capital se depara com todos esses problemas logo na entrada da cidade.

A Praça Floriano Peixoto é outro retrato do abandono da cidade (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)

A comerciante Iracema Paixão, 46, trabalha há três anos em um comércio de frente para a praça. Ela diz que o abandono prejudica o comércio na área, já que as pessoas que passam pela praça, atravessando as ruas do entorno, evitam o local. “Falta segurança. A Guarda Municipal não fica aqui. Após as 18h fica um deserto. Essa área ao lado é esconderijo de bandido”, denuncia.

Cenário entristece e envergonha quem mora na capital

CONSTRANGEDOR

Sem atrativos para turistas e visitantes, a Praça do Relógio que um dia já foi estampada em cartões-postais do Complexo do Ver-o-Peso hoje só atrai a atenção de urubus. O espaço coleciona problemas: postes e luminárias quebradas, calçamento deteriorado, mato, sujeira e não há sequer uma lixeira no local. “O relógio parou no tempo igual Belém parou. Quando eu era mais novo, via guardas municipais nas praças. Hoje você não vê. O turista não bate foto aqui, senão é roubado”, disse o mototaxista João Souza, 30, que trabalha em um ponto no local.

O Relógio tido por muitos anos como ícone da cidade, literalmente, parou no tempo. Foi erguido entre as décadas de 1920 a 1930 como símbolo da passagem de épocas, marcadas por crises econômicas e transformações políticas. 

A autônoma Roseane Sarges, 47, sente vergonha dos espaços públicos de Belém que estão em condições semelhantes. “Antigamente a gente saia para apreciar a paisagem. Mas hoje está tudo feio e malcuidado. Sinto vergonha até de convidar pessoas de fora para conhecer. A nossa cidade é rica e bonita, mas pobre de cuidados”, desabafou.

Explicações: o que diz a prefeitura

- A Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) informou que a revitalização da Praça do Relógio será contemplada pelo PAC das Cidades Históricas.
- Sobre a praça Waldermar Henrique, a Seurb afirma que já realizou levantamento das necessidades e aguarda recursos para recuperar o local.
- Em todos os locais citados, a Secretaria de Saneamento (Sesan) garante que realiza a coleta regular de lixo.
- Sobre os moradores em situação de rua, a Fundação Papa João XXIII (Funpapa) esclarece que dispõe de equipe especializada que realiza trabalho educativo com abordagem social a pessoas em situação de rua. A Funpapa enviará na segunda-feira ( 12), uma equipe de educadores sociais de rua para fazer uma nova abordagem na praça Waldemar Henrique.

(Pryscila Soares/Diário do Pará)


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