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ESTREIA OFICIAL

Papão será a última equipe a se apresentar e começar a preparação para temporada 2019

Domingo, 23/12/2018, 10:20:09 - Atualizado em 23/12/2018, 10:20:09 Ver comentário(s)

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Papão será a última equipe a se apresentar e começar a preparação para temporada 2019 (Foto: Fernando Torres/Paysandu)
(Foto: Fernando Torres/Paysandu)

A partir do próximo dia 3 de janeiro, quando os jogadores e comissão técnica se apresentarem na Curuzu, o Paysandu travará um verdadeiro duelo contra o relógio em sua preparação para a disputa do Estadual, primeira competição do calendário do clube em 2019. O Papão será o último entre os 10 clubes participantes a iniciar os treinos para a participação no campeonato. O atraso se deve ao fato de a equipe só ter encerrado participação na Série B do Brasileiro deste ano há menos de um mês. Com estreia no Parazão prevista para o dia 23 de janeiro, os bicolores terão, no máximo, 20 dias de atividade.

O calendário, prejudicial ao time, óbvio, é criticado por todos na Curuzu. O presidente eleito Ricardo Gluck Paul é um dos mais descontentes com o curto tempo de preparação do time. “É um calendário bastante ruim pra gente”, acusa o dirigente. A situação é quase a mesma deste ano, quando o Papão estreou no Estadual apenas 23 dias após de ter encerrado sua participação no Nacional, tendo neste período as férias de seus jogadores. O desfecho do tempo exíguo para trabalhar acabou colaborando para a perda do título regional para o maior rival, o Remo.

Para tentar suavizar a situação, a nova diretoria bicolor chegou a acenar com a possibilidade de promover a pré-temporada com o elenco dividido em dois grupos. Um formado por atletas que já tenham gozado o período obrigatório de descanso e o outro composto por jogadores que estiveram em ação na Série B e que, portanto, estão impedidos de voltar ao trabalho. Mas a ideia acabou sendo abortada. “Todos se apresentarão juntos”, sentenciou Gluck Paul. 

Com tempo tão curto para a preparação e montagem do time, o elenco bicolor não arredará pé da Curuzu. A pré-temporada será feita no próprio estádio bicolor, com os jogadores e a comissão técnica confinados no hotel Antônio Diogo Couceiro, anexo ao “Vovô da Cidade”. Os treinos com bola, portanto, serão realizados no local onde o time mandará a maioria de seus jogos, excetos os Re-Pas. Já os trabalhos físicos serão feitos prioritariamente na academia Gabriel de Souza Castro, também de propriedade do clube.

Diferente dos adversários, o Papão não tem, pelo menos por enquanto, programada nenhuma partida amistosa. Pode ser, no entanto, que o time venha a enfrentar alguma equipe amadora durante o período, apenas para que o técnico João Brigatti e sua equipe de trabalho possam ter uma noção mais apurada das virtudes e deficiências do grupo. Em sua estreia no Parazão, o Papão enfrenta o São Francisco, de Santarém, jogando em Belém.

DIFICULDADES

Brigatti tenta amenizar desvantagem

Consciente do curto tempo que tem para montar e preparar sua equipe, o técnico do Paysandu, João Brigatti, que passa férias em Campinas, sabe das dificuldades que terá pela frente no Estadual. Para tentar amenizar a desvantagem em relação aos concorrentes, que já estão trabalhando a todo o vapor, ele tem priorizado a escolha de jogadores que tenham entre suas características o bom condicionamento atlético. “Jogadores guerreiros mesmos, que saibam da dificuldade que é o Campeonato Paraense em razão das chuvas, atletas de força física”, explica.

De acordo com o treinador, os jogadores contatados pelo clube estão sendo informados das dificuldades que terão de superar, com a chegada ao clube faltando pouco tempo para a estreia da equipe no Estadual. “Estamos sendo transparentes com todos, não podem chegar aqui e ter surpresas”, argumenta. A afirmação de Brigatti é corroborada pelo diretor de futebol do clube, Felipe Albuquerque, que diz conhecer “bem a realidade do inverno amazônico”. “Isso está sendo bem avaliado para conseguirmos trazer jogadores da melhor forma possível”, informa o funcionário bicolor.

Preparação física é uma questão bem complexa

AVALIAÇÃO

Dono de um currículo que contém passagens por 16 equipes locais, entre elas Clube do Remo e Tuna Luso, e outras duas de fora do estado, Rio Branco-AC e Goiânia-GO, o professor de educação física José Jorge, 69 anos, é, no mínimo, cauteloso ao falar sobre a possibilidade de o Paysandu iniciar o Estadual em condições atléticas inferiores a dos concorrentes. Segundo ele, o fato de o Papão iniciar sua preparação depois das outras equipes participantes do campeonato, por si só, não significa que o grupo bicolor vá estar abaixo dos concorrentes quando a bola começar a rolar na disputa local.

“Uma série de fatores precisam ser levados em conta”, alega José Jorge. “É preciso, por exemplo, saber quantos atletas o grupo terá e em quais condições esses profissionais se apresentarão no clube”, argumenta o preparador, que vai além. “Também é necessário conhecer qual a maneira de jogo que será utilizada pela equipe, visto que o desgaste físico é diferente para cada um dos esquemas”, aponta. Outro aspecto considerado pelo professor diz respeito ao condicionamento dos adversários.

“A gente pode dizer que Tapajós e São Francisco, por exemplo, estarão em melhores condições por terem saído da Segundinha, mas todos nós sabemos como são formadas as equipes para essa competição. É mais da base do pega na hora”, salienta. Por conta desse amontoado de argumentos e de outros mais, José Jorge prefere não se arriscar tanto em apontar a inferioridade bicolor. “Prefiro dizer que em princípio os adversários devem levar vantagem, mas isso apenas teoricamente. Na prática a situação pode ser diferente”, observa.

(Nildo Lima/Diário do Pará)





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