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Dia dos pais: exemplo de tolerância e respeito no futebol

Domingo, 13/08/2017, 09:40:42 - Atualizado em 13/08/2017, 09:40:42 Ver comentário(s) A- A+

Dia dos pais: exemplo de tolerância e respeito no futebol (Foto: Marco Santos)
Abraão e José Penaforte lidam com as diferenças clubísticas no maior alto astral (Foto: Marco Santos)

Dizem os sábios que ser pai é a oportunidade que o homem tem para repassar tudo o que aprendeu de bom na vida, para o filho, seja por suas experiências pessoais ou costumes. E por servir como um espelho, é natural que cada criança adquira os mesmos gostos paternos, pela troca de convivência, como a famosa herança do time do coração. No entanto, nesse Dia dos Pais, apesar do amor mútuo, de acordo com o patriarca da família Penafort, de todas as lições positivas que passou para os filhos, a única que não encaixou, foi justamente para o clube de futebol.

Remista desde pequenino, José Penaforte, ao lado da esposa Valéria, tem dois filhos: Abraão e Helena. Orgulhoso de suas crias, o papai coruja não mede palavras para elogiar os filhotes, quando o assunto é caráter e benevolência. Por outro lado, quando o tema é o mundo da bola, o buraco é mais embaixo. “Eu sou remista e amo o meu time. Mas eu sou rodeado de secador. Meus filhos e minha esposa torcem para o Paysandu. Daí já viu, sou minoria em casa”, revelou o distribuidor de livros. Apesar dos gostos diferentes pelos times, José garante que a rivalidade entre Remo e Paysandu, ao contrário do que parece, serviu como um elo para unir a família. “Em dias de clássico, ninguém fica calado. É avacalhação daqui, de lá. Mas tudo sadio, pois, acima de tudo somos pais e filhos. Até gostamos quando ocorre Re-Pa, porque é um momento que aproveitamos em família”, destacou José.

Escolha natural

Para o primogênito Abraão, que é o mais ligado em esportes, embora seja torcedor bicolor, a escolha pelo Papão foi algo sincero, e não para contrariar o pai. E pelo fato de José ser bastante compreensível, o sentimento foi ganhando força com o passar dos anos. “Desde que eu me entendo por gente, sempre fui Paysandu. Em casa, apesar do gosto, meu pai sempre deu liberdade pra gente escolher nossos times. Nunca insistiu em tentar mudar nossa cabeça. Ao contrário, sempre nos entendeu”, explicou. “Nessa data, só temos a agradecer pela grande pessoa que ele é para nossa família. Um bom pai e um bom amigo”, reconhece Abraão.

A dica é: deixar que todos sejam felizes

Quando se trata de paixão de torcedor entre pais e filhos, vale até “torcer” para o rival, para ver o familiar feliz. De acordo com Abraão Penaforte, mesmo com o momento negativo dos dois titãs do Estado, só o fato do Papão estar na Série B é o suficiente para zoar o pai. Mas, “filho de peixe, peixinho é”, o estudante de 20 anos, destaca que, o importante é todos estarem contentes, nem que para isso ele tenha que mandar uma energia positiva para o rival. “Já falei para ele mudar o time, que aqui ele vai ser mais feliz. Mas como eu sei que isso é impossível, a gente fica na expectativa do Remo fazer boas atuações por causa dele. Não torcendo para ganhar, mas para não perder, claro. Vale a pena ver ele feliz com o time de coração”, frisa.

“Sempre respeitei as opções deles. Sejam quais forem. Até mesmo na escolha por um time diferente do meu Leão Azul, pois, como eu não pude expulsar de casa, o jeito foi ter aceitado”, diverte-se o chefe da família Penafort. “Brincadeiras à parte, são essas histórias que nos fazem ser uma família unida e feliz”, destaca o patriarca.

(Matheus Miranda/Diário do Pará)





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